Hipócritas
Da coluna do Luiz Carlos Prates, de novo:
O Barack Obama está sendo duramente criticado por oposicionistas porque o Departamento de Saúde dos Estados Unidos está obrigando as empresas do país a fornecer métodos contraceptivos às suas funcionárias. Religiosos histéricos dizem que essa medida é contra a vida. Que estúpidos, contra a vida é mulher pobre fazer aborto clandestino e se ferrar. As ricas fazemm em boas clínicas e em segurança. Críticos hipócritas.
Falou e disse. Primeiro, porque mesmo oferecendo os métodos contraceptivos às funcionárias, ninguém obriga elas a engolirem o remédio caso queiram engravidar. Segundo, porque o aborto é uma das grandes causas de problemas de saúde das mulheres no mundo. Na maioria das vezes, por não ser permitido, o aborto é feito em péssimas condições que põem em risco a saúde da mulher, que por sua vez, gera enormes receitas ao governo para mantê-la em um hospital público. Terceiro que em algumas vezes em que o aborto não acontece, o filho torna-se fardo - o que muitas vezes também gera despesas ao estado e à sociedade, já que futuramente, muitos desses filhos acabam por criar problemas maiores por cairem na criminalidade.
Há quem diga que só engravida quem quer. Mas aí cabe lembrar que ninguém está isento de um “acidente” e que existe sim, falta de esclarecimento. E aí, sejamos sinceros, é uma boa ideia as empresas disponibilizarem os métodos contraceptivos para suas funcionárias e esclarecê-las quanto ao uso, já que algumas delas não têm condições de buscar informação profissional.
Carolices, atraso puro de vida. Essas posturas incoerentes que me levam a questionar o mérito da autoridade de certas instituições religiosas. Medidas "contra a vida", bah! Dosem a cretinice, porque ela está vindo em galões.
Não consigo ler isso ai sem pensar que algumas empresas pressionam grupos religiosos a protestar, para que estas mesmas empresas não acabem arcando com os custos finais. Afinal, pelo que Sr. Luiz está dizendo, as empresas serão obrigadas a fornecer (custear) e não repassar apenas.
Mesmo que assim fosse: não seria mais barato manter anticoncepcional para as funcionárias do que mantê-las grávidas, ou com atestados após fazerem abortos?
Isabela Sanson Mas é claro que é. Nem só por isso. Tem bilhões de razões que justificam. Assim como tem outras tantas razões para que seja liberado o aborto. Sou favorável a ambas as situações (da distribuição de anticoncepcional e do aborto).
Mas, como eu disse, essas mobilizações sempre me fazem crer que grupos de empresários estão lá pressionando grupos religiosos ou do que quer que seja para que estes façam apelos e tudo mais. Não são todos, mas sempre têm. É muito mais fácil apelar pra religião na hora de mobilizar uma opinião publica, do que explicar que com essa ou aquela regra irá criar um valor x de prejuízo mensal.
A proibição necessita de mais esclarecimentos para o pessoal compreender que não só a vida do feto está em jogo, mas da mãe e de toda a sociedade que acaba pagando por um aborto ilegal e suas consequências. E já que esta é uma questão muito delicada a ser tratada, que seja então aceito que os métodos contraceptivos são uma alternativa menos chocante para esta realidade, embora apenas diminua os casos e não resolva.













