Classic Hollywood
Classic Hollywood é uma coluna para apaixonados pelo cinema de todos os tempos. Filmes clássicos, filmes contemporâneos, tudo aqui de um jeito bacana e curioso.
CLOSER – PERTO DEMAIS (2004)
Hello, Stranger!
‘Closer’ conta uma história simples, mas verdadeira: a terrível incapacidade que temos, ao amar, de nos doarmos pela outra pessoa. A música de Damien Rice, que fez sucesso no Brasil na voz de Ana Carolina e Seu Jorge (“É Isso Aí!”) diz no original: “And so it is, just like you said it would be. Life goes easy on me (most of the time). And so it is, the shorter story. No love, no glory, no hero in her sky”. Numa tradução livre: “E é assim, como você disse que seria. A vida é fácil para mim (na maior parte das vezes). E é assim, a mais breve história. Não há amor, não há glória, não há herói em seu céu”.
A história traça um período de dois anos na vida de quatro pessoas em Londres: um jornalista de obituários que quer fazer sucesso como escritor, uma fotógrafa intelectual fria e distante, uma stripper americana sem rumo no mundo e um médico frustrado com a mesmice da vida. Tudo normal, não fossem eles Jude Law, Julia Roberts, Natalie Portman e Clive Owen. Eles representam ícones de si mesmos, objetos perfeitos e inacessíveis em sua humanidade. O filme coloca os quatro personagens numa caixa e como poderia ser dito por Tarantino: ‘vamos deixar brigar para ver no que dá’.
Eles nunca se encontram numa mesma cena (exceção única para a exposição de fotografias que a personagem de Julia Roberts faz). Isto porque o amor nunca pode existir aos milhares. Ele goteja aos poucos, naquilo que chamamos de vida. O amor nunca é correspondido, porque ao ser, ele se perde e acaba. Amar é sofrer, mas entendido aqui de um modo melancólico, extremamente melancólico. E a crueza dos diálogos é um espetáculo à parte.
Dizemos a verdade aos estranhos e mentimos àqueles que nos são íntimos. Vemos o que queremos ver, porque ver além destrói o mundo que construímos (‘What is your name? My Name is Jane’) Esta parece ser a moral do filme do genial Mike Nichols, que tem no currículo “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?” e de “A Primeira Noite de um Homem”. Ele trabalha o amor e o sexo como prisões das quais queremos fugir, mas às quais sempre voltamos. Não há final feliz, mas há um filme que após assistir, dá vontade de correr para a web ou para a loja, para procurar a trilha sonora.
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Just Randals não assistiu o Oscar 2008. Está numa época em que quer mais é viver a cem que assitir a mil filmes.













