Arquivo da categoria ‘Literatura’






24 de junho de 2009 , 10h40
r.3
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Sebo de seminovos online


Grande idéia, confere o blog Leitura Seminova e os títulos do acervo:

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“Todos os livros são absolutamente novos, com cara de estante de livraria.” É só mandar email e combinar entrega. Os descontos nas obras oscilam entre 30%.

E porquê não organizar uma versão regional desse?


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2 de junho de 2009 , 09h02
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Hoje vamos de Fernando Bastos, que é um assíduo colaborador aqui do Por Acaso com suas charges. Aqui ele mostra um pouco da sua prosa, num conto produzido especialmente aqui para o Veredas e Por Acaso.

A MENINA DE NEREU RAMOS

Ambos moviam-se na mesma direção, desviando-se de mesas e gente, na praça de alimentação do Shopping, e o esbarrão foi inevitável.
- Ops, desculpa - Natanael foi o primeiro a se manifestar.
- Não foi nada - tranquilizou Ângela - e só então descobriu a sua frente um rosto familiar, transformado pelos anos da vida, mas…familiar. Ele não mudara muito, não.

1973

A litorina apontou na curva com apitos ruidosos preconizando sua chegada. Os dois meninos, equilibrando-se rente à plataforma da estação, tremeram junto com os trilhos, ansiosos para chegarem logo em Nereu Ramos, onde se esbaldariam em correr pelo pasto que ficava atrás da casa de Antônio, o tio de Loreno. Italiano dos bons, sapateiro afamado na região, exímio jogador de bocha, tio Antônio tinha um casal de filhos. Pedro, o caçula, e Ângela, com doze anos, menina faceira, jeito moleque, sempre ríspida no trato com os meninos, como se quisesse afastar os olhares maliciosos dos garotos atrevidos.

Loreno tinha a mesma idade de Ângela, sua prima. Era filho de um experiente telegrafista da extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima), e andar de Maria-Fumaça ou litorina, para ele, era tão comum quanto acompanhar a mãe às missas de domingo. Ia pelo menos uma vez por semana com a mãe do lado, visitar os parentes em Nereu, e, nessas ocasiões, seguia tio Antônio na ordenha das vacas, no trato das galinhas, e, quando chegava as férias de verão, corria com os dois primos para colher tangerina. Comiam ali mesmo, pendurados como saguis, nos galhos da árvore. Perdiam-se no tempo, jogando sementes e cascas um nos outros, e riam que se acabavam.
Natanael, um ano mais velho que Loreno, mal se aguentava em si, tanto era a angústia para encontrá-la e dessa vez, finalmente, declarar-se.

Talvez o leitor mais jovem não conheça o termo, e nunca tenha visto uma “litorina”. No entanto, suas aparições em Jaraguá pelos tempos da infância de Loreno e Natanael eram bem comuns. Transportava dezenas de passageiros, que eram levados para Nereu, São Francisco e outros lugares. O termo tem origem italiana (littorina) e contam que esse nome se deve ao fato de Mussolini ter embarcado nesse veiculo quando viajou até a cidade de Littoria.

Em menos de meia hora a dupla já descia na estação de Nereu. O menino mais velho girou sobre os calcanhares percorrendo os olhos azuis por um ângulo de 360 graus, mas nem sinal dela.
- Tenha paciência - avisou Loreno - ela deve estar em casa estudando ou ajudando minha tia.
- Hoje vou declarar meu amor a ela - assegurou Natanael - com uma gravidade rara para a idade.
- Há, há, duvido - riu-se o amigo - você já teve mais de dez chances de dizer que gosta dela, e sempre na hora H, enfiou o rabo no meio das pernas.
- Hoje vai ser diferente, Loreno.

O filho do telegrafista pediu a bênção para tia Marli, tio Antônio. Levou uns apertões nas bochechas da tia, e sentaram ele e o amigo, para tomarem um café feito no fogão à lenha e comerem pão com banha e açúcar, uma delícia para eles. Empurraram tudo goela abaixo e já iam saindo, quando a tia falou:
- “Ma que robe tói”, aonde vão com essa pressa?

Encontraram-na sozinha, sobre uma pedra na beira do riozinho, jogando migalhas de pão aos peixes, que pareciam dançar ao redor de seus pés enfiados na água transparente, algumas vezes esbarrando neles e, os mais afoitos, mordiscando os dedos.
- Oi, prima…
- Oi, Loreno - respondeu sorridente. E, fitando o outro - Oi Natan.
- Oi, Ângela.
- Ai, meu Deus - soltou Loreno - esqueci minha vara de pescar, vou buscar e já volto…
- Acho que ele quer que fiquemos a sós - deduziu Ângela com um sorriso que irradiou todo seu rosto.
Para Natanael, aquilo foi o mesmo que ter uma visão do Paraíso, com os serafins tocando harpas para a glória de Nosso Senhor.

- Aonde você vai? - inquiriu a menina, sem saber o que havia dado no garoto, que parecia fugir assustado, como se tivesse visto a própria Morte se aproximando de gadanha em punho…
- Lembrei que deixei minha vara na casa do teu tio…

Fernando Bastos é cartunista e participou dos livros “Contos Jaraguaenses” e “Jaraguá em Crônicas”.


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2 de junho de 2009 , 01h19
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E dá-lhe releitura


Agora quem chegou à adolescência foi a Luluzinha. Da notícia, o que achei mais legal foi o contexto todo consultando estilistas e artistas pra fazer as composições:

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Luluzinha Teen e Sua Turma, nova HQ da editora Ediouro, tem previsão de lançamento para esta semana no Brasil. A história vai dar alguns anos a mais para a famosa personagem dos quadrinhos norte-americanos - e tem produção totalmente brasileira.

Segundo informações divulgadas pela Ediouro, a cantora Pitty fará uma participação especial na primeira edição, como madrinha da banda de Bolinha - sim, o amigo/inimigo de Luluzinha cresceu, emagreceu e adotou o estilo “radical”.

A própria Luluzinha, como você vê na imagem ao lado, perdeu os cachinhos e o vestido vermelho. O visual é orientado pela consultora de moda brasileira Gloria Kalil, que definiu as roupas que todos os personagens da série utilizarão. Além disso, as HQs darão destaque a cenas em que a turma se arruma para festas e shows, detalhando seu figurino. (…)

Notícia via Omelete.


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27 de maio de 2009 , 08h09
Carlos Schroeder
Por
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Veredas


Jaraguá do Sul, assim como Joinville, respira dança e vem a cada se afirmando no cenário catarinense. Hoje Veredas ressalta essa poesia do corpo, com um belo recorte que fala de outra dança, o Boxe, com texto do escritor argentino Gabriel Gómez (que já foi um dos convidados do Círculo de Leitura de Jaraguá e retorna em julho, na Feira do Livro), . Gabriel é autor de “A culpa é do livro” e do recém lançado “Borges e outras ficções”.

Dança

Um, dois, três passos. Avança lentamente. Elegante. Todos se foram. Agora é com ele. As mãos acompanham a dança. Gira para a direita, retrocede e abaixa com leveza seu corpo. Sente-se acompanhado por inúmeros olhares e um barulho no ar. O público reage, se identifica e parece ir junto. Mais um passo, desta vez para a esquerda, querendo achar um espaço, quase de refúgio, paternal. Os braços se juntam simultâneos, se comunicam. Às vezes parecem esperar, recuados. Outras, encontram a leveza ou a força, ensaiando, mapeando a busca. O corpo suado, esculpido, acha outro. Dançam juntos, suam juntos e enredam mãos e corpos com cautela. Abraçam-se. Medem, ajustam e regulam cada movimento. A coreografia tantas vezes praticada e revista. Os olhos acompanham tentativas que enganam. Luzes intensas, fôlego nervoso. Enquanto um parece correr, o outro dança. A poesia primária, sincronizada, dialoga desafiante. Exaltados, frágeis, lentos e velozes; desamparados. Dançam em equilíbrio, com as pontas do pé, dançam… Parecem driblar, mas não: dançam. Não param, evoluem. Para frente e para trás. O tempo de tablado se esgota. Precisa do último movimento que não chega, ou chega tarde. Procura exprimir-se no momento restante, circula incessantemente, mas está exausto. Foi surpreendido. Um, dois; um, dois. Ouvem-se gritos de glória, aflição e também de agonia; um direto preciso, uma esquerda aberta, implacável, um meio giro e o barulho seco da queda. Falta de ar. Seu protetor cai junto, voa fora da boca. Arrastado, beija a lona com sangue. Cercado, cospe sangue nas cordas. Seus olhos perdem o foco. Tenta alçar-se, procura forças, mas cai, inconsciente, vermelho de dor. Não chega nem a ouvir o grito provocante, o aceno ainda combativo do seu adversário.
A toalha jogada de um dos cantos, cortando a passagem do juiz, é a cortina que avisa que a dança acabou.


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25 de maio de 2009 , 04h34
Carlos Schroeder
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Carlos Schroeder

Página aberta - Encontro literário


Página aberta - Encontro Literário

Venha encontrar e conversar com amantes do livro e da leitura, num ambiente informal e descontraído, um verdadeiro happy hour literário.

- Apresentação da Biblioteca e acervo da Cerâmica 507/ Loreno Hagedorn;
- Confraternização e encontro dos escritores da região;
- Sorteio de livros da Design Editora.

Acesso livre

Onde:
Rua Venâncio da Silva Porto, 507 - Atelier 507 - Vila Lenzi (próximo ao novo Angeloni) - Jaraguá do Sul - SC

Quando:
nesta quinta-feira, dia 28 de maio, 20h

Traga seus amigos e venha desfrutar de um bom papo…

Realização: Atelier 507 e Design Editora.


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12 de maio de 2009 , 09h43
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


O Nelson Curica veio lá de Santarém, no Pará, mas está radicado em Jaraguá do Sul há alguns anos. Gosta de um bom bate papo sobre filosofia, uma cervejinha gelada (quem não gosta né?) e uma porçãozinha de macaxeira bem servida… Preparou este texto especialmente para a revista virtual Veredas, vale a pena conferir…

A ANTROPOFAGIA SENTA NA MESA DO ALMOÇO NA TERÇA FEIRA

Nelson Curica

Logo que sentei a mesa não pude deixar de notar o berbigão me olhando sorridente de seu aromático túmulo, havia ainda arroz com feijão e uma terrina de aço inoxidável repleta de salada. Percebi também quase instantaneamente que as mangas haviam acabado, pois senti falta de uma cor amarela na dita salada e do seu cheiro peculiar em meio aquele festival de cores verdes.
Meu filho sentou silenciosamente em sua cadeira com altura apropriada para sua estatura de criança de cinco anos. Tentou se ajeitar sozinho mais acabou recebendo ajuda da mãe que notara sua dificuldade com a nova relação de suas pernas e os pés da mesa. Logo foi constatado que ele já não cabia muito bem no lugar em que sempre sentava e ela arredou o curumim um pouco mais para o seu lado. Num misto de agradecimento e inocência ele lhe perguntou por que ela não ficava gorda. O que me deixou intrigado e a sua mãe desconfiada. Tanto que lhe respondeu com a clássica tática de devolver, de forma mais acentuada, um sonoro - por quê? Ele então sem perder a pose e cheio de razão respondeu de bate pronto - ora bolas, é pra senhora ganhar neném.
Depois de recompor sua autoridade com um singelo sorriso ela tratou de salvar também a autoridade dos argumentos de adulta e mãe lembrando, entre uma garfada e outra, que estava curiosa para saber qual era o presente que nós lhe daríamos no dia das mães. Sem perda de tempo nosso filho lhe perguntou se ela não gostaria de ganhar uma linda pista de corrida. Ela me olhou de soslaio e sorrimos considerando suas evidentes intenções. Depois se voltou para ele e ainda sorrindo lhe disse, sem esconder um leve sarcasmo - não muito obrigado. Mais ele continuou argumentando com uma expressão sincera de ela não estava fazendo uma boa escolha ao negar aquele presente e achava que deveria aceitar. Ela ponderou candidamente que aquele era um presente que ele gostaria de ganhar e não ela. Mais, com uma determinação exemplar ele considerou que assim eles não iam poder brincar juntos com a pista, o que seria um desperdício.
Não consegui, vendo aquele diálogo, ter certeza de que ele realmente estava tentando levar vantagem. Confesso que no início fui tentado a crer nisso, mais vendo sua desenvoltura ao procurar convencer sua mãe, compreendi que ele estava agindo na mais pura inocência, defendendo seu interesse como sendo legitimamente o dela. E não sem espanto percebi o quanto de nossa sociedade estava presente na sua ingênua postura, posto que dividimos nossas vidas em dias especiais e ficamos pretendendo, como crianças, convencer os incautos de que os interesses de nossos indivíduos precisam ser os mesmos, para tudo fazer sentido.


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5 de maio de 2009 , 03h54
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

79 projetos inscritos no Edital de Cultura de Jaraguá


Projetos por área:

a) Música: 23 projetos - Valor destinado de R$ 72.068,13 (valor máximo por projeto R$ 7.206,82 e valor mínimo R$ 720,68).

b) Literatura: 13 projetos - Valor destinado de R$ 60.056,77 (valor máximo por projeto R$ 6.005,68 e valor mínimo R$ 600,56).

c) Artes Cênicas – Dança, Teatro, Cinema e Outros: 19 projetos - Valor destinado R$ 76.071,91 (valor máximo por projeto R$ 7.607,20 e valor mínimo R$ 760,72).

d) Patrimônio Cultural: 02 projetos - Valor destinado R$ 72.068,13 no caso de projetos de restauração de edificações históricas (valor máximo R$ 21.620,44) demais projetos da área (valor máximo por projeto R$ 7.206,82 e valor mínimo R$ 720,68).

e) Manifestações Culturais- Folclore, Tiro e Outros: 20 projetos - Valor destinado R$ 80.075,70 (valor máximo por projeto R$ 8.007,57 e valor mínimo R$ 800,75).

f) Artes Plásticas e Artesanato: 02 projetos - Total de R$ 40.037,85 (valor máximo por projeto R$ 4.003,79 e valor mínimo R$ 400,37).

Carlos Henrique Schroeder

Conselho Municipal de Cultura - Representante da Área de Literatura


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4 de maio de 2009 , 01h18
Carlos Schroeder
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Carlos Schroeder

Jaraguá em cena


Vejam a cidade de Jaraguá do Sul através das lentes do fotógrafo Chan, que em cinco minutos de vídeo procura retratar a cidade.


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4 de maio de 2009 , 10h03
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The Book Is On The Table - por Gelson Bini


Salve moçada! Começando quente a semana, um ótimo post enviado pelo grande Gelson, direto lá das prateleiras da Grafipel. Confiram a dica da vez, que é literatura pop. Logo abaixo tem um trecho imperdível de uma das obras, não deixem de conferir.

Alôu pessoal! Dessa vez ao invés de indicar um livro vou indicar uma editora! Sim, e uma editora que está com um proposta muito boa. O nome? É Não Editora! Isso mesmo Não Editora! E porque Não?

Cansados de levar um “não” na cara das editoras grandes, alguns escritores de Porto Alegre e região se uniram para dizer não aos conceitos pré-estabelecidos do mercado dos best-sellers e de tudo que é repetitivo. Com isso, publicaram uma série de obras que vale a pena conferir não só pelo tratamento editorial, mas pelas questões literárias que levanta… A maioria dos escritores são jovens nascidos na década de 80.

A pequena editora (que a meu ver já nasceu grande) possui mais de dez títulos, donde escolhí dois para ilustrar o post. São eles:

Ficção de Polpa Vol 1 (organizado por Samir Machado de Machado)

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Psicopatas! Monstros! Alienígenas! Zumbis! Aos escritores aqui presentes, foi feita uma proposta: criar um conto de horror, ficção científica ou fantasia com completa liberdade temática. O resultado engloba assuntos tão populares quanto diversos: serial killers, crimes hediondos, delírios domésticos, demônios, monstros, mortos-vivos, alienígenas e toda sorte de argumento capaz de despertar a criatividade dos dezesseis autores aqui reunidos. O livro ainda traz uma faixa bônus, com uma nova tradução do conto O Cão de Caça, de H. P. Lovecraft, e esboços da capa.

Ficção de Polpa Vol 2 (organizado por Samir Machado de Machado)

polpa2-350

De robôs em crise de consciência a astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural que se escondem onde menos se espera, experiências científicas que dão errado, um golem descontrolado e um detetive do imaginário. Em 20 contos inéditos, os autores reunidos em Ficção de polpa 2 exploram os temas da ficção científica, do horror e da fantasia. O livro ainda conta com uma faixa bônus que inclui esboços da capa e uma nova tradução do clássico da ficção científica A odisséia marciana, de Stanley G. Weinbaum.

Já ouviram falar em literatura-morte? Confiram o que separei para vocês após o jump.

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30 de abril de 2009 , 07h10
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Segunda tem Trama da palavra no SESC


Trama da palavra SESC

Literatura, cinema e teatro em discussão na próxima segunda-feira

Na próxima segunda-feira, dia 4, às 19h, acontece a sessão inaugural do projeto Trama da Palavra, na Sala de Grupos no Bloco Cultural do SESC Jaraguá do Sul.

O Projeto Trama da Palavra pretende discutir não apenas a literatura, mas também suas interfaces com outras formas de linguagem: quadrinhos, canções, roteiros, peças teatrais e outras manifestações que tenham a palavra como um dos suportes. Estas discussões terão a presença de autores para mediar as discussões.

Para a sessão inaugural, o convidado é Carlos Henrique Schroeder, que media as discussões e fala sobre escrever para o teatro, cinema e claro, da arte de escrever livros.

A entrada é franca e a realização é do SESC Jaraguá do Sul.


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29 de abril de 2009 , 10h18
Carlos Schroeder
Por
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Veredas


Hoje vamos com um texto de Kelly Erdmann. Ela é repórter do Jornal O Correio do Povo desde 2006, também já exerceu essa função em O Regional. Antes disso, esteve no Departamento de Comunicação e Marketing da Universidade do Vale do Itajaí. Em 2006 recebeu o prêmio de melhor texto na categoria Perfil do Univento, prêmio que destacada as produções dos acadêmicos da instituição.

Pára-raios

Kelly Erdmann

Definitivamente a segunda-feira tinha começado da forma mais azarada possível. O céu nublado parecia ainda mais carrancudo com as nuvens cheias de chuva teimando em encobrir os morros. A sombrinha, antes esquecida atrás da porta, era obrigatória e dividiu espaço nas mãos com as moedas para o ônibus, a pasta de documentos e a mochila tirada das costas tardiamente. Estavam encharcados, ela, as pernas e os ombros.
O caminho de casa até ponto do coletivo é de 200 metros. Mesmo assim, aquele dilúvio inesperado foi capaz de alagar a tudo, inclusive, ele. Para piorar, na subida ao ônibus o guarda-chuva virou, os pés “pularam” dentro da poça amarela e a vontade de desistir tomou conta do universo.
Estava atrasado e todos os 15 sinais de trânsito espalhados pelas dezenas de ruas a serem passadas teimaram em preferir o vermelho ao verde. Lá se foram mais 20 vinte minutos. E, por causa deles, o motorista não teve tempo de chegar antes da cancela baixar. Béééééééééé. A buzina irritante do trem apitou na direção exata dos tímpanos, dando a ligeira impressão de o cérebro ter saído do lugar.
Mas, só teve a certeza que isso não aconteceu quando o maldito Golf preto encerrou o trabalho iniciado pela chuva. O banho, finalmente, estava completo.
- Booom diaaa, Beto!!! Como foi o fim de semana? Viu aquele filme do cinema? E o Faustão, ontem? Putz, a dança no gelo é o máximo! Ahh, eu vou fazer um leiilããoooo…lá lá lá lá….eu vou fazer um leilãoãooão….
Sem murmurar nada, abriu e fechou a porta em um milésimo de segundo. A voz o perseguiu, a música odiada grudou nos ouvidos, o celular tocou.
- Cadê tu, cara? Cadê? Cadê? Cadê?
Com a mochila virada sobre a cadeira, o telefone voou para debaixo da mesa. De joelhos no chão, se esticou e alcançou o celular. O visor quebrou e não deu para ver qual número chamava.
- Alô!
- Quem fala?
- Quer falar com quem, hein?
- Beto?
- É ele mesmo. Quem ta falando, pô?
- É a Camila. Pelo jeito não lembra mais de mim, né?!
- Camila? Camila? Claro que lembro, Camila!
- Foi mal, tá?! Acho que não liguei em boa hora. Nos falamos outro dia.
- Nãoo, Camila! Péra aí, fica na linha!
- Oi?
- Desculpa. Meu dia não começou bem.
- Hã?
- Vamos sair no sábado?
- Ah, não sei, tenho umas coisas pra fazer.
- Que horas?
- Hum, às 8 horas?
- Taá.
- Me pega?
- Pô, to sem carro.
- Hum.
- Te encontro no shopping. Pode ser?
- Tá.
Tu tu tu
- Putz, a ligação caiu ou ela desligou?!

O trovão veio tão forte que deu medo. A luz apagou. O computador desligou e destruiu o arquivo não salvo. As buzinas dos carros, lá fora, ensurdeciam. O trem parou e o trânsito também.
Ele foi dormir na cadeira, com a testa sobre a mesa. Os pés continuavam molhados.

 


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22 de abril de 2009 , 05h01
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Rios

Eliandria Aparecida Silva

Ainda era noite, a chuva forte que caía misturava-se ao céu cinzento e ora prateado pelos fortes raios e relâmpagos insistentes.
O olhar de medo, o filho apertado contra os braços e acolhido em seu peito, ainda faltava atravessar a metade da ponte, pensou que poderia ter ido por outro caminho, não existia, pois o que ligava os rios Jaraguá e Itapocu era só aquela ponte pênsil.
O vento era muito forte, a solidão apertando os passos, havia sentido que aquilo poderia acontecer, um dos lados da corda se soltou com fúria, se desequilibrou, não havia mais ninguém, o tempo pareceu parar, por favor, Deus, salve meu filho, pensou rapidamente.
A correnteza os arrastou sem piedade quando caíram na água que no dia anterior parecia calma e tranqüila, o pequenino chorava, um galho, a salvação, a tempestade era uma cortina de cristal apavorante, debatia-se freneticamente.
Os gritos desesperados, o choro, era mãe, tinha que salvá-lo, tentou nadar mesmo sem saber, não ouviu mais choro de seu filho, não o viu mais…
De repente tudo era silêncio, as mãos sangravam, algo a tinha machucado, mas havia sangue no peito também, sangue sem cor, era a dor, uma dor sangrenta, perdeu-o na imensidão e na união dos dois rios, sabia que teria que continuar a viver mesmo morta, a vida havia mudado para toda a eternidade.
Nuvens cinza-escuro deslizavam suavemente pelo céu, o vento uivava, cantos discretos de pássaros que passeavam pelo céu enquanto a chuva ia se tornando mais fina, folhas e ramos de muitas árvores ao redor olhavam-na como se quisessem chorar junto.
Olhou para o alto, lá estava um homem, havia visto, foi testemunha de toda sua dor, de toda a tragédia que acabara de acontecer e seu rosto não gritava, mas suavemente acenava, não havia mais nada a fazer, talvez logo o corpo de seu filho boiasse na superfície, era o último desejo de uma mãe.
Enquanto a água congelava seu corpo suspenso, as mãos ainda seguravam no galho, o dia começava a se pôr devagar, em breve o escuro daria passagem à claridade e com ela viria a vida e tudo teria que seguir.
Ficou olhando para o alto, o homem não estava mais lá!

Eliandria Aparecida Silva é graduada em Administração de Empresas com especialização em Psicopedagogia e professora de Comunicação Oral e Escrita.


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15 de abril de 2009 , 08h46
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


As Verdades sobre a vida num apartamento (em Jaraguá)

(João Luís Chiodini/André Padilha)

Morar em apartamento não é para qualquer um. Há pessoas que não tem a mínima condição de viver num lugar onde respeito e consideração ao próximo são essenciais. Aliás, essas pessoas deveriam morar numa caverna, num lugar muito distante e isoladas de qualquer convívio social.

Se você mora, morou ou vai morar num apartamento, certamente vai passar ou já passou por uma situação destas adiante.

1 - Seu vizinho (de cima) sempre possui um objeto esférico que cai e rola no chão frequentemente, senão diariamente. Dá a impressão de que você mora embaixo de uma colecionadora de bolinhas de gude e que toda a vez que ela chega de madrugada ele dá uma espiadinha na coleção.

2 - Você nunca recebe visitas de madrugada, mas sempre escuta a campainha do vizinho.

3 - Seu vizinho sempre faxina a casa em horas impróprias. Será o de cima se for necessário arrastar móveis. Será o mais próximo se utilizar o aspirador de pó

4 - Seu vizinho (de cima) tem mania de arrastar móveis (não só quando faxina). Ou sobre o seu quarto, ou sobre a sua sala enquanto você assiste televisão.

5 - Seu vizinho (de baixo) tem sorte de tê-lo como vizinho pois você é calmo, silencioso, não arrasta móveis, não deixa nada cair no chão e não possui objetos esféricos que rolam sobre sua cabeça. Além disso, geralmente anda de chinelos.

6 - Seus vizinhos não respeitam as regras de salão de festas; quebram copos, não limpam e reservam todo final de semana o espaço, nunca dando chance a você que, inclusive, só usa no seu aniversário e no aniversário da sua esposa.

7 - Seu vizinho (de garagem) insiste em estacionar rente a faixa de divisão de boxes, não deixando você abrir decentemente sua porta e correndo frequente risco de riscar a porta do seu carro.

8 - Ao sair do carro, espremido, você sempre cuida para não bater a porta no carro ao lado. Entretanto, sempre há marcas de batidas de porta na porta do teu carro.

9 - Seus vizinhos (de cima e de baixo) tem a feia mania de ficar segurando, por razões misteriosas, o elevador.

10 - Seu vizinho (de cima) adora urinar diretamente na água da privada, projetando um barulho insuportável no seu banheiro/quarto.

11 - Seu vizinho (de cima) acorda várias vezes de madrugada para ir ao banheiro. (E mija muito alto)

12 - A bexiga do seu vizinho (de cima) deve suportar uns três litros de líquido.

13 - Ninguém, exceto você, devolve o carrinho de compras logo após o uso.

14 - A maioria das vezes que seu vizinho leva lixo, ele tem algo nojento que pinga no elevador.

15 - Você é o próximo a usar o elevador. E isso vale para quando seu vizinho suado e fedido acabou de sair dali após fazer exercícios. Ou quando aquela perua tomou banho de perfume de R$ 1,99.

16 - Chuck Norris não tem vizinho de cima. Nem São Pedro fica acima dele, pra não fazer barulhos com as tempestades.

17 - Crianças adoram brincar perto de você. Mas só quando você está dormindo no sábado/domingo, bem cedinho de manhã ou logo depois do almoço.

18 - O seu vizinho não quer ouvir música. Ele quer que VOCÊ ouça.

19 - Coisas estranhas caem na sua janela. Especialmente do banheiro.

20 - Quanto mais alto o som produzido pelo salto-alto, mais a sua vizinha (de cima) vai utilizar aquele sapato enquanto você está dormindo (ou tentando).

21 - Quanto mais pressa você tiver, mais gente que mora nos andares inferiores ao teu entrará no elevador. Em especial os moradores do 1º andar, que aguardam pacientemente por 10 minutos o elevador (vide a verdade nº 9), sendo que poderiam subir um lance de escadas com 7 degraus.

22 - Crianças choram. Cachorros latem. Algumas mulheres mugem… principalmente “naqueles” momentos.

23 - Coisas inexplicavelmente voam janela afora. Essas coisas inexplicavelmente não pertencem a ninguém.

24 - Só chove violentamente quando você deixa a janela aberta, provavelmente acreditando que aquele lindo dia de sol continuará.

25 - Tem gente que acha que furadeira, liquidificador, aspirador de pó e máquina de lavar “manca” são instrumentos musicais. E pior: acha que dão uma linda sinfonia, que todos gostam de ouvir.

26 - Há sempre um(a) louco(a) morando do prédio. E você sinceramente pensa na possibilidade dele(a) sair atirando a qualquer momento.

27 - A fatura do condomínio é um dos mistérios do universo. Albert Einstein se mudou do prédio onde morava porque não entendia os gastos. Daí nasceu a “relatividade”…

28 - Ninguém quer ser síndico. E o síndico é geralmente alguém que não devia ser.

29 - O síndico nunca está, nas raras vezes em que se precisa realmente dele.

30 - Você tenta se consolar com a velha frase: “É.. tem suas vantagens e desvantagens… pelo menos tem segurança”. Muito embora todos deixem a porta da frente destrancada, o portão aberto, e qualquer um que realmente queira possa entrar a qualquer momento no prédio.


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6 de abril de 2009 , 04h58
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Do fundo do baú


O Eudes publicou lá no Fórum do Rapadura Açucarada, chorei baixinho quando ví:

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Dá pra ler! É só clicar na capa pra fazer download dos jpgs. E tem ainda essas outras duas:

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6 de abril de 2009 , 04h02
r.3
Por
r.3

Falando em velharia


Sessão memories vai em overdose:

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Palhacinho Alegria, minha nussa. Sabia que tem projeto pra ele voltar? É na mesma onda da Turma da Mônica Jovem.

(…)Alberto G.P., antigo roteirista das histórias do Alegria, decidiu fazer um mangá baseado nas aventuras do Palhaço.

“Sim, indubitavelmente esse lançamento é inspirado na Turma da Mônica Jovem. Mas será também diferente, pois é um mangá propriamente dito. Não vamos ficar em um meio-termo, como foi no caso do Mauricio de Sousa.

O Palhaço Alegria enfrentará dramas de verdade… ele será um excluído da sociedade e um paradoxo em si, pois seu nome não condiz em nada com a pressão triste e sofrida de um adolescente que acaba de entrar no segundo grau.” - Via MDM

Olha um rascunho:

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Comentários: credo, sei lá, emo.


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1 de abril de 2009 , 03h30
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Como morrer em Jaraguá
Carlos Henrique Schroeder

1.No trânsito

Esta é a maneira mais fácil e democrática de se morrer na cidade entre-rios/entre-morros. Pois você ainda pode escolher como morrer: a pé ou dirigindo. No primeiro caso, a cidade oferece duas opções certeiras. Vejam o caso do cruzamento das ruas Expedicionário Gumercindo da Silva (da Caixa Econômica e do Hotel Itajara) com a Henrique Piazera (da Borrachas Wolff e Moretti Automóveis), onde diariamente temos um exemplo clássico de olimpíada urbana: os 100 metros rasos sem barreira, mas com um agravante, a velha morte dando ceifadas no lombo do pedestre.
Ainda a pé, o cruzamento da Avenida Marechal com a Rua Guilherme Weege (onde fica o X-hum) é um passaporte para o Hospital São José (que ao menos está próximo). Os pedestres chegam a fazer o sinal da cruz para atravessar. Até pensei em montar uma barraquinha com aluguel de varas de um lado da rua, e instalar um colchão do outro. Uma máquina de tele transporte também ajudaria. Poderia citar ainda todas as faixas de pedestres defronte as grandes empresas, sempre uma roleta russa.
Para morrer dirigindo, no conforto de seu automóvel e escutando sua música predileta, aconselho as vias de acesso a Jaraguá do Sul, principalmente nas sextas-feiras do verão, quando todos resolvem sair para buscar um lugar ao sol, e o horário de pico, entre 17h15 e 18h, quando você sempre morre, mas de raiva!

2.De fome

Trabalhar na área cultural em Jaraguá é como ser um famigerado etíope na Suécia. Principalmente se seu trabalho for autoral (os artistas com um pouco mais de apelo comercial, conseguem, ainda que aos trancos e barrancos, ao menos pagar as contas). O jaraguaense médio não consome alta cultura, você lota um espetáculo de comédia escrachada, mas escuta os grilos em espetáculos com um pouco mais de conteúdo. Você paga para sentar num bar e escutar pagode (que poderia escutar de graça, na rádio), mas não paga para escutar as letras e músicas de um artista de MPB local. Em Jaraguá os artistas morrem de fome, mas também de indignação.

3.De desgosto

Essa é a maneira mais fácil de abotoar o paletó de madeira na cidade. Basta prestar atenção nos movimentos políticos locais e nas relações profissionais na cidade. Em todas as eleições acontece o mesmo: quando o candidato X perde para o Y, os fiéis escudeiros do X imediatamente abandonam o barco para lamber as botas de Y, em busca de alguns carguinhos medíocres. E o pior é que muitos acham isso normal, e até justo. No trabalho então, as escalas de valores são sempre invertidas, e prega-se sempre a concorrência desmedida, o cão come cão. Isso tornou Jaraguá do Sul uma potência industrial, e também, uma grande consumidora de antidepressivos.


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25 de março de 2009 , 10h40
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Veredas_revista virtual de literatura do Vale_28

Poeta, diretor teatral, cineasta e empresário, o jaraguaense Gilmar Antônio Moretti é a versatilidade em pessoa. Abaixo conhecemos um pouco de sua prosa.

Bandeira

Gilmar Antônio Moretti

“Quando o enterro passou/ os homens que se achavam no café/tiraram o chapéu maquinalmente/ saudavam o morto distraídos/…” tomando o café no calçadão, sem ser percebido (como se fosse possível ) os versos de Bandeira afloraram contrapondo com o ritmo apressado dos passantes.Além do que, chapéu não usamos mais e os percursos dos enterros estão confinados ao ar condicionado dos carros. Distraídos continuamos. Confiantes nem tanto. Absortos cada vez mais. E tem que ser esquife importante para os sinos dobrarem. Perdemos a noção do ritmo natural da vida. A rua a minha frente dava lições quase centenárias das transformações passadas, da poeira solitária às pedras paralelepípedas, transmutando-se no o ar refinado do petit pavê. A minha mãe não teve féretro. Os sinos não repicaram. Da sala lacrimejante direto para o jazigo de cimento. Era uma tarde de outono. Cálida. A brisa morna suavizava eventuais cicatrizes na limpidez do céu. Ao longe, os contornos do morro da Boa Vista, reafirmavam a solidez da matéria que se fragilizava nos corpos condolentes a volta do caixão, para a última despedida. Os olhares fixos no esquife da derradeira hora, por detrás dos óculos escuros, “estavam todos voltados para a vida/ confiantes na vida/ absortos na vida/…”, apesar da contradição do momento. Sempre estamos confiantes e absortos nesta sensação de perenidade que o mundo das aparências induz. Poucos dias antes, o celular tocara com minha irmã internando minha mãe às pressas, no hospital. Larguei tudo e fui ao seu encontro. No caminho questionei os valores existenciais, os mesmos de sempre e somente nestas horas, dentro da correria desenfreada para possuir o que na realidade nos possui. Considerando a sua idade octogenária e a maneira prática e objetiva de levar a vida, me questionei se ela estaria pronta para a partida. E eu? Martelando com estes pensamentos adentrei o quarto, direto ao pé da cama onde ela estava deitada, lânguida, mas consciente. Prontamente lhe perguntei suave e firme: Mãe, a senhora está com as malas prontas? Olhando franca e longamente, me respondeu terna e incisiva: estou!.E você, meu filho? Esbocei um sorriso. Ainda não, mãe. E rimos divertidamente, inconseqüentes. Nos dias que se seguiram passamos tardes fagueiras na senda dos laranjais da memória como há muito não fazíamos. Desdobrávamos a memória vivida delicadamente dobrada ao longo dos anos. Era como se estivesse ajeitando os últimos detalhes, para a partida, que aconteceu poucos dias depois. Minha mãe se fora de malas prontas levando dentro delas um pouco de mim e deixando a minha desarrumada pela vida afora. O tilintar das xícaras e pires da cafeteria me trouxeram a realidade. A brisa da tarde acalentou a melancolia que se abateu sobre mim. Paguei a conta. Saí desanimado. O movimento do calçadão aumentava. Ah! Em tempo: O poema Momentos no Café, de Manuel Bandeira, termina assim: daqueles que se achavam no café “um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado/ olhando o esquife longamente/ este sabia/ que a vida é um agitação feroz e sem finalidade/ a vida é traição/ e saudava a matéria que passava liberta para sempre da alma extinta.”


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24 de março de 2009 , 01h15
Fernando Bastos
Por
Fernando Bastos

Esteios da humanidade


Diz uma oração católica: “Salve, Rainha, Mãe misericordiosa… A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas…”. Buda já descobrira há seis séculos antes de Cristo que a vida é sofrimento. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) cerca de 3.000 pessoas por dia cometem suicídio no mundo, o que significa que a cada 30 segundos uma pessoa tira a própria vida. E para cada suicídio, há outras 20 pessoas que tentam mas não conseguem.

De olho nessa dificuldade que é viver, o ser humano tem criado ao longo da história métodos para afugentar a dor e gozar melhor a vida. Em todos os sentidos. Os romanos realizavam as bacanais - orgias em honra ao deus Baco, e rolava de tudo. Nosso carnaval perde.
Os mestres, mais contidos, queimaram as pestanas tentando ensinar o povo o caminho para a bem-aventurança. Ou seja, desde nosso ancestral, passando pelos filósofos da Antiguidade e os especialistas modernos, todos têm uma coisa em comum: descobrir como afastar a tristeza e manter o espírito o maior tempo possível de bem com a vida.
Relacionei alguns dos mais importantes esteios (amparos) que têm ajudado o ser humano a viver um pouco melhor.

Proteção dos deuses.
Recorrer aos espíritos invisíveis talvez tenha sido a primeira tentativa humana de se proteger contra o perigo e acalentar a alma. O primitivo achava que oferecendo sacrifícios de vidas humanas e presentes, aplacaria a fúria dos deuses e seria amparado por eles. A crença de que uma divindade nos observa e nos ajuda, atravessou o tempo e hoje mais de 90% da população têm em Deus ou deuses (no caso dos povos politeístas) seus grandes aliados para viver melhor. Se bem que, para alguns, os deuses tem forma de carro importado, lancha, bolsas e sapatos de três mil reais…

Oração.
Numa próxima fase, surge a classe sacerdotal afirmando ser porta-voz das divindades. A população fica sabendo que os deuses ajudam, mas com uma condição: exigem crença total e orações. Hoje em dia, as religiões dão muita ênfase à oração. E é verdade que para muitos, a oração traz paz, conforto e ânimo para a vida. É comprovado cientificamente que, uma pessoa enferma tem mais chances de ser curada se ao lado do medicamento, tiver fé que Deus o ajudará.

Amuletos.
A crença no poder mágico dos talismãs era forte entre os egípcios antigos e se observa hoje sobretudo na Índia, como temos visto pela novela das nove. Arre baba. No ocidente, de cultura judaico-cristã, mas também com a contribuição de outras religiões, muitos se sentem protegidos com crucifixos, medalhas de santos e cruzes de Davi, bem como depositam fé nas figas, pés de coelho, ferraduras, fitinhas no pulso, elefantes, trevos, Budas, etc. Há uma frase: “As coisas têm o poder que, convictamente, damos a elas.” Baguan keliê…

Livros de autoajuda.
O conceito de autoajuda já havia em 2.500 a.C. O poeta Hesíodo já dava conselhos através de seus escritos. A frase seguinte retrata esse conceito: “O céu ajuda aqueles que ajudam a si próprios”. O princípio de autoajuda e autosugestão é amplamente utilizado para curar pessoas viciadas em álcool, por exemplo. Muitos críticos dizem que só os autores dos livros se beneficiam com seus conselhos. Talvez seja um exagero. Quem nunca saiu de casa melhor depois de ter lido algumas páginas de um livro de autoajuda?

Drogas.
Segundo a OMS, o estresse afeta 90% da população mundial. Estima-se que só no Brasil existam 17 milhões de dependentes de bebida alcoólica. Não encontrei dados referentes ao número de pessoas que usam tranquilizantes, e outros remédios para dormir melhor ou dar conta do estresse. Também é notório que a cada dia aumenta a parcela de pessoas que utiliza as drogas ilícitas, que trazem uma sensação prazerosa no início mas depois davasta a vida do viciado.

Meditação e ioga.
Os orientais nos trouxeram os segredos da arte em meditar e dos exercícios da ioga (do sânscrito, yoga). Muitos garantem que melhoraram a autoestima e conseguem dominar melhor as angústias depois que começaram a meditar ou fazer ioga.

Pensamento positivo.
Já diziam os sábios da Antiguidade: “A realidade é criada pela mente.” O problema é encontrar alguém que seja positivo o tempo todo. Algumas pessoas, por natureza, parecem estar sempre de bem com a vida. Tenho um amigo de longa data, cuja risada se tornou famosa, que nunca vi de baixo astral. Dá até inveja. Outras, são o desânimo em pessoa. Compreender os mecanismo do cérebro e adotar uma atitude positiva pode melhorar a vida, dizem os especialistas.

Técnica da Poliana.
Lembram de um livro de uma menina com esse nome? Ela conseguia ver sempre o lado bom das coisas. Nunca se abalava. Órfã, foi recebida pela tia que a colocou num quarto imundo, cheio de ratos. A menina achou tudo maravilhoso. Os críticos condenam essa atitude ingênua e acham melhor lutar contra aquilo que não está de acordo com nosso pensamento. Talvez Poliana tenha lido o “Método Silva de Controle Mental” (Tem lá na biblioteca). O livro ensina que, se você não tem como mudar as coisas a seu lado, tente ver o lado positivo.

Talvez seja um exagero dizer que a vida é um ‘vale de lágrimas’. Momentos bons existem e somos nós quem o fazemos. Não importa onde você esteja. Há uma frase de Hamlet que diz mais ou menos isso: “Posso morar dentro de uma casca de noz e mesmo assim me sentir o rei do Universo”.

Fernando Bastos
Ilustrador. Participou dos livros Contos Jaraguaenses e Jaraguá em Crônicas.


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18 de março de 2009 , 11h49
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Veredas_revista virtual de literatura

Hoje vamos com o divertido texto do Gelson Bini, o popular Tio Gel, que é Dj, agitador cultural e livreiro na Grafipel.

Davi e Golias

Gelson Bini

Todos os dias era a mesma coisa, eu saía do trabalho às 14h e pegava o ônibus da Barra do Rio Cerro, sentido bairro-Centro. Todos os dias as mesmas pessoas, a maioria do mesmo setor onde eu trabalho, ou da mesma empresa. Eu trabalho em uma das maiores e mais conhecidas malharias do Brasil. Todos se conhecem nesse ônibus, alguns pegam essa linha há muito tempo. Eu faço esse trajeto há seis meses, faz pouco tempo que estou na cidade e ainda fico maravilhado vendo trechos quase intactos de Floresta Atlântica, tão próximos do Centro da cidade. Pela janela fico olhando as belezas… Lá pelo meio do trajeto, que é longo, o ônibus fica cheio e as pessoas se espremem, procurando se acomodar com aquela “manha” que todo herói brasileiro tem. Nós, brasileiros, temos um poder sobrenatural de nos adaptar e resistirmos às situações desfavoráveis dessa vida de proletário. Então todo dia era a mesma coisa, até que numa dessas paradas no meio do trajeto embarca um sujeito que chama a atenção de quase todos no ônibus, o novo passageiro era aquele tipo que adora o “Deus Metal”! Era um cara gordo, grandalhão, que metia medo nas pessoas, mal encarado, todo suado, usando uma camiseta com estampas na frente e atrás. Na frente era a Eddie, a caveira mascote do Iron Maiden naquela foto clássica do primeiro álbum deles e atrás era um desenho desses demônios que qualquer metaleiro adora! Usava calça jeans, cinto de couro com vários pregos com as pontas pra fora, que ficavam parecendo espinhos de aço, qualquer um que encostasse se espetava. O cara subia, andava até a metade do ônibus e ficava parado com cara de mau. Ele simplesmente não pedia licença e quem ficasse no caminho poderia se espetar ou levar um empurrão do metaleiro grandalhão. As pessoas tinham medo dele. Ele ficava se segurando nas barras de alumínio que tem nos ônibus, com aquelas axilas nojentas expostas por causa da sua estilosa camiseta com as mangas cortadas. Pra mim tudo bem, não era novidade, eu já havia curtido isso quando tinha 13 anos, e por isso não me incomodava porque sabia que era apenas mais um jovem curtindo uma das múltiplas variações do rock. Mas para o pessoal do meu setor e para a grande maioria dos passageiros do ônibus, o cara era um ser do mal! Eles não entendiam a viagem do maluco ali, pra eles era um maldito, cheguei a escutar comentários do tipo: esse tá maconhado! Olha a cara dele!
O cara botava os pés na escada do ônibus e o pessoal já abrindo caminho, ninguém tinha coragem de ficar obstruindo a passagem daquele gigante opressor! E ele, a essa altura, já tinha sacado isso e se achava o tal. Tava tudo tão tranqüilo até que o cara começou a pegar essa linha… Agora não tinha jeito, todos os dias ele estava lá no mesmo ponto, no mesmo horário, e as pessoas “normais”, que ficaram aterrorizadas com aquele sujeito ameaçador quando o viram pela primeira vez, não imaginavam que teriam que conviver com aquele sujeito todos os dias. Na verdade, pra mim era até engraçado ver aquelas caras de espanto, eu ficava pensando: pô, é só um metaleiro, só isso e nada mais! Qual o problema? Passaram-se dias, semanas e notei nas pessoas que a cada dia que passava aumentava a raiva e o medo do gigante metaleiro. Comecei a chamá-lo de Golias, porque ele me fez lembrar o personagem bíblico, mas aí pensei! Se ele é o Golias onde está o Davi nessa história? Ou nesse ônibus? Deve haver algum Davi pra esse Golias! Alguém tem que se manifestar, será que ninguém vai vencer o medo e enfrentá-lo? Até quando vão suportar?, pensei. Os dias foram passando e sempre a mesma situação, Golias a essa altura se sentia o rei do ônibus, sabia que ninguém teria coragem de falar nada.
Eis que um belo dia o nosso gigante sobe para o ônibus com aquela cara de rei tirano e se posiciona no mesmo local de sempre. Já logo em seguida, na próxima parada, embarca um tiozinho completamente embriagado. Cambaleando, com as calças de tergal caindo, de chinelas havaianas encardidas, unhas sujas (precisando passar num esmeril) e chapéu atolado na cabeça. O tio cambaleou pra lá e pra cá até que pára bem do lado de quem? Bem que dizem que fiofó de bêbado não tem dono! O tio não tinha noção do lado de quem estava parado. A sua embriaguez não o permitia perceber o perigo que corria.
Com o ônibus cheio todo mundo que estava em pé ficava espremido, numa curva o ônibus pendeu para o lado e lá se foi o tio pra cima do Golias, se não fosse aquela montanha mal- encarada certamente o tio teria beijado o chão do ônibus. O velhinho se ajeitou, arrumou o chapéu na cabeça, olhou para o Golias da cabeça aos pés, olhou bem para os detalhes de sua roupa e falou bem alto: Eeiitá Gaúúcho vééio! Pimba! Num só golpe o tio acabou com toda aquela pose de metaleiro mau. Golias olhou para o tio com um olhar de ódio, mas eis que lá da frente do ônibus o cobrador solta uma risada involuntária, que contagia todos. Em seguida todos do ônibus - inclusive o motorista que já conhecia a fama do Golias - caem numa gargalhada uniforme, parecendo uma torcida organizada. Por aquele golpe Golias não esperava, aquele senhor, do alto de sua ignorância e embriaguez, tinha destruído seu poder no ônibus. Ele olhava para as pessoas com uma cara de medo que dava pra ler seus pensamentos: parem de rir! Mas quanto mais ele olhava para as pessoas, mais elas riam. De gigante ele não tinha mais nada! Então, enfurecidamente, ele quase arrancou a cordinha da campainha do ônibus e desceu, antes do seu destino de costume.
Depois daquele dia nunca mais vimos Golias! E o Davi? Ora, tornou-se o herói do ônibus, me lembro bem: naquele dia várias pessoas pagaram uma cachacinha pra ele no bar do terminal.
Essa é a história de Davi e Golias nas terras do strudel!


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12 de março de 2009 , 10h22
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Pentatlo Cultural


1. Hoje acontece a primeira sessão do ano do Cineclube de Jaraguá do Sul, com o filmaço “Linha de Passe”, às 19h30min, no Teatro do Novo SESC Jaraguá do Sul, após o filme rola um debate, que provavelmente se prolonga além-bar. Vejo vocês lá!

1

2. Encerram-se hoje as inscrições do projeto Jaraguá em Curtas, primeiro projeto de produção audiovisual de Jaraguá do Sul. Incrições e informações na SCAR. Tel. 3275-2477.

3. Domingo, no Anexo Ideias, do Jornal A notícia, vocês poderão conferir na íntegra um dos roteiros selecionados pelo projeto Jaraguá em Curtas.

4. Estão abertas as inscrições para o curso de fotografia do Chan, na SCAR. Tel. 3275-2477.

5. No dia 18 de março, no Teatro do SESC, poesia musicada com Gil Salomon e banda.

É isso, abraço!


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12 de março de 2009 , 09h45
r.3
Por
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The Book Is On The Table - Por Gelson Bini


Direto da Grafipel, uma ótima contribuição do homem-som nesta quinta-feira. Amante ou não de leitura, experimenta, que tá saboroso o texto:

Salve Pessoal! Hoje falaremos de Kurt Vonnegut.

“Um Homem Sem Pátria” exibe a indignação de Kurt Vonnegut com a América contemporânea, combinada com a generosidade e o humanismo característicos de sua obra desde “Matadouro 5″, considerada obra prima do pacifismo a partir da vivência durante o bombardeio de Dresden. Neste novo trabalho, apresentado como coletânea de crônicas, “microensaios”, é enriquecido com ilustrações feitas pelo próprio Tio Kurt. Este senhor que infelizmente nos deixou em 21 de Abril de 2008, nos faz refletir e faz um alerta com aquilo que ele chama de subversão do processo democrático, propriciado pelo governo Bush. Vonnegut denuncia as “personalidades psicopáticas” dessa administração e fala da corrupção e os escândalos corporativos.

Sem sutilezas, mas com altas dosagens de humor e sagacidade, Kurt Vonnegut faz piadas sérias. Enxerga as raízes da infelicidade do indivíduo pós-moderno no declínio das grandes famílias, observando: “Muito poucos americanos, mas muito poucos ainda tem famílias ampliadas. Os Navajos, os Kennedys.” Comparando a era do Vietnã à guerra do Iraque, afirma: “Aquela guerra transformou milionáros em bilionários. É isso que vocês chamam de progresso?

É, o Tio Kurt, assim com Wilhelm Reich, não vai a caça mas acerta em cheio o seu alvo… Na próxima semana falaremos sobre o livro “Escuta, Zé Ninguém do Reich”, que vai ao encontro dos pensamentos de Kurt, só pra continuarmos nesse assunto.

Então agora com vocês oum trecho do livro “Um Homem Sem Pátria” de Kurt Vonnegut.

358256

Em 1968, o ano em que escrevi Matadouro 5, finalmente estava maduro o suficiente para escrever sobre o bombardeio de Dresden. Foi o maior massacre na história européia. Eu, naturalmente, sei sobre Auschwitz, mas um massacre é algo súbito, que num tempo muito curto promove a matança de uma enorme quantidade de pessoas. Em Dresden, em 13 de fevereiro de 1945, cerca de 135.000 pessoas foram mortas por bombardeios britânicos em uma noite.

Foi pura insânia, destruição sem sentido. Toda a cidade foi arrasada e queimada e foi uma atrocidade britânica, não americana. Mandaram bombardeiros noturnos que chegaram e puseram toda a cidade em chamas com um novo tipo de bomba incendiária. E assim tudo que era orgânico, exceto meu pequeno grupo de prisioneiros de guerra, foi consumido pelo fogo. Foi uma experiência militar para descobrir se era possível queimar uma cidade inteira espalhando bombas incendiárias sobre ela.

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11 de março de 2009 , 07h49
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Veredas_revista virtual de literatura_número 23

Hoje vamos de Sarah Roeder, que estuda Filosofia em Curitiba e adora um bate-papo regado a boa literatura.

Efêmero

Sarah Roeder

Há pouco era segunda, agora, um passo e é domingo. Levantas, dizes bom dia e, em seguida já estás dormindo. Os dias passam, como quadros de um filme mudo. Vai homem apressado! Trabalha bastante para pagar a prestação do carro, a gasolina, do carro que te leva mais rápido para o trabalho. Corre! Corre muito, homem apressado. Corre para pegar o último ônibus lotado. Não há problemas se conseguires chegar no horário. Vão os meses de tua vida, na estúpida corrida. O relógio está acelerando (ou tu estás errando?). O ponteiro segue depressa, devorando os minutos que te restam. Menos um, menos um. E o que é tudo isso, senão diferentes (ou repetidos) minutos sucessivos? Não lê este livro, tens que acordar cedo para esperar a vida inteira pela justa promoção que nunca chega. Vais à missa com as crianças no domingo. Dizes ao padre que pecaste. Invejaste o estofado de veludo do teu primo. Jogas mais um calendário no lixo. Sapato novo, terno bonito. Formatura do teu filho. Mais um atrasado entre os milhares pendurados nos ponteiros do relógio. Enterro do teu pai e das muitas palavras que deixaste para falar na hora certa. Vestido branco, cinco números maior. Bodas de prata. Retratos coloridos, sem a vitalidade de outrora. A pequena árvore no jardim da tua infância, já está velha e feia. Não chegaste a tempo de colher os belos frutos de seus galhos. Teu joelho esquerdo não funciona. E não conseguiste decorar aquele poema. Esperas em filas, para retirar a aposentadoria. Compras os remédios para a osteoporose da Maria. Rugas, muitas. Sorrisos, poucos. Caminhas devagar até a porta. O relógio na parede também está velho, mas ainda assim, não perde o compasso. Pegas a bengala, vai rápido homem apressado. O agente funerário não pode ficar esperando. Os espelhos da casa estão todos quebrados. Os calendários na parede já não são mais trocados. E o relógio acaba por vencer.


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9 de março de 2009 , 08h52
r.3
Por
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Watchmen scans


Pra quem é fã de graphic novel (ou quadrinhos adultos) ou tem curiosidade com o meio, vai aí a bola da vez, Watchmen.

watchmen

Clique na imagem para acesso ao post do blog Gibiscuits, que disponibiliza todas edições num único pacote de jpgs pra ler no computador.

Aguardando a estréia do filme por aqui…


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8 de março de 2009 , 06h48
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Jaraguá + Nilópolis


Abaixo segue um texto do Loreno, gerente do Centro Cultural de Jaraguá do Sul/SCAR, com sua experiência na Beija-flor e interessantes comparativos entre Jaraguá e Nilópolis.

Porque aprendi a amar a Beija-Flor de Nilópolis

Imaginem uma cidade com 9 km2, 159.000 habitantes e uma densidade populacional de 17.667 hab./km2. Tracem uma comparação com nossa cidade, Jaraguá do Sul, com 539,9 km2, com 155.122 habitantes e uma densidade populacional de 287,31 hab./km2.

Tudo bem, temos indústrias, riqueza, qualidade de vida. Amo Jaraguá do Sul, sobretudo! Porém, mesmo com todas as dificuldades, a Nilópolis que conheci é uma pobre pequena cidade, com muitas dificuldades, muito, mas muito diferente de Jaraguá do Sul até mesmo na alegria. Fomos recebidos pelo casal Marco Gomes e Vanderson Bichels, em sua própria casa, no bairro Nossa Senhora de Fátima, no final da Mário da Araújo, próximo do campo de provas do Exército Brasileiro, que eles chamam em Nilópolis de “mata”. Uma casa humilde, mas para nós haviam reservado seu próprio quarto, com ar condicionado e tudo! Sentimo-nos como se estivéssemos num hotel cinco estrelas.

Além disso, devo lembrar que eu era o único fumante e também o único que, embora sem exageros, bebia alguma bebida alcoólica. E pasmem, esta não é necessariamente a idéia que se tem sobre o sambistas e sobre uma grupo de pessoas tão engajados com escolas de samba. No entanto, esta é a verdade!

Outra coisa que me chamou a atenção, foi a segurança com a qual eu podia me deslocar pela cidade, fosse de dia ou de noite. Os deslocamentos até o barracão da Escola eram geralmente feitos a pé. A única preocupação que todos sempre demonstraram era com os deslocamentos ao Rio de Janeiro, feitos através da Linha Vermelha ou pela Pres. Dutra, onde as coisas ficavam mais complicadas, até mesmo nos deslocamentos pelos trens da Super-Via. Aí o bicho podia pegar. Mas Nilópolis parecia um útero aconchegante, com todas as suas mazelas e dificuldades sociais. Falta água, que não consegue ser distribuída para toda a cidade, as moradias são em geral precárias, geralmente inacabadas, o dinheiro é curto, o custo de vida - embora baixo - oferece uma coisa que nós sequer poderíamos imaginar: PAZ. Nilópolis é uma cidade de Paz. As pessoas se contentam com pouco. E sobretudo, são felizes, muito felizes!

Quando a Beija-Flor não ganhou o tão ambicionado primeiro lugar no desfile, fiquei muito triste como ficaram todos, mas daí novamente a generosidade dos parceiros me enterneceu. Era corrente, entre todos os membros da Escola e entre os populares com os quais tive a oportunidade de privar, que a Salgueiro mereceu ganhar porque estava melhor este ano. Estavam tristes porque perderam, mas felizes porque quem venceu fez uma melhor apresentação que a Beija-Flor. Havia paixão em seus olhares, não ódio nem bairrismo fanático.

O que também me deixou enternecido foi o comentário da uma vizinha, a dona Lourdes, do alto dos seus quase 80 anos, evangélica da Igreja Assembléia de Deus (Missão Madureira), que ao nos ver sair para o desfile no domingo, após ter voltado da igreja, desejou boa sorte e nos abençoou, dizendo: “Deus não gosta, mas Deus sabe que é muito bom divertir-se também”. Disse também que ficaria vendo pela televisão e torceria para que a Beija-Flor pudesse trazer mais esse campeonato para Nilópolis! Isto não é fantástico?

E finalmente me enterneci com o orgulho da comunidade nilopolitana por sua escola, dos que já desfilaram um dia, dos que nunca desfilaram e dos que meramente observavam. Foi o melhor Carnaval de minha vida! Marco, Zéio, Vanderson, a Beija-Flor e Nilópolis me deram este presente. Finalmente voltei para Jaraguá do Sul e, apesar desse fantástico carnaval, estava novamente com saudades da minha cidade, da minha paz, a que só encontro aqui. Como diz meu companheiro, estar de volta em casa é sempre muito bom, não importa onde está a casa, não importa o local. Só estar na nossa casa já é bom.

E olhe que para entrar em minha casa, em Jaraguá do Sul, esta cidade com tanta qualidade de vida, preciso girar todas as trancas e ligar todos os alarmes - em Nilópolis ainda se dorme com as janelas abertas, e ao sair de casa não se chaveiam as portas. Lembro que, antes de viajar, minha casa aqui havia sido assaltada duas vezes. E Jaraguá do Sul tem câmeras que monitoram tudo (já estariam funcionando?), uma polícia exemplar e muita gente atraída pelo dinheiro que pensa fácil vem, querendo eles também ganhar dinheiro. Ganhar dinheiro é muito importante. Às vezes penso que aqui é mais importante ter que ser, já em Nilópolis, ser é melhor… Talvez esse seja o segredo de bem viver! P.S.: Todos em Nilópolis trabalham, e trabalham muito longe, alguns chacoalham pelos ônibus e trens por mais de três horas até chegar aos seus locais de trabalho.

Viva Jaraguá do Sul!

E viva a Beija-Flor e viva Nilópolis!

Loreno Luiz Zatelli Hagedorn, cidadão jaraguaense


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4 de março de 2009 , 03h13
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Veredas_Revista virtual de literatura do Vale_número 21

Hoje vamos de Marcelo Lamas, cronista e professor universitário, e sua famosa crônica sobre a cidade entre-rios/entre-morros.

Você virou (ficou) um jaraguaense? Vinte e cinco evidências
Marcelo Lamas

Diz-se que alguém “acultura-se” quando assume hábitos e costumes não comuns na sua origem. Ao mudar de região, muitos tentam manter o estilo de vida que tinham na sua procedência, como as roupas (lojas e forma de vestir-se), médicos, compromissos, culinária, entre outros.
Porém, conforme o tempo avança, as pessoas acabam cedendo à sua relutância inconsciente e ajustam-se ao ritmo de vida do meio onde estão inseridas.
Para ser um jaraguaense (por opção ou necessidade) basta enquadrar-se em, pelo menos, cinco dos itens a seguir:,

1) Comprar um terreno (“schon”);
2) Casar com uma frida (ou fritz), sendo que às vezes eles vêm acompanhados dos terrenos;
3) Ter um pijama da Malwee (exigido na hora da compra);
4) Ter um automóvel com placa de Jaraguá do Sul;
5) Ter um cartão Breithaupt;
6) Achar Guaramirim longe;
7) Ter como meta de consumo uma casa em Barra Velha;
8) Ir, pelo menos uma vez na vida, ao Chopp Club ou Vitória;
9) Ir à missa todo o sábado ou domingo à noite;
10) Ouvir o resultado do jogo do bicho no rádio;
11) Confundir-se, sem perceber, ao pronunciar o duplo “r”;
12) Não conseguir sair do supermercado sem levar consigo: uma lata de salsicha, um quilo de banana, um pacote de lingüiça e um vidro de pepino em conserva;
13) Conhecer o refrão de três músicas alemãs e dançá-las com maestria;
14) Carregar guarda-chuva na bolsa;
15) Em viagem, quando perguntado: “— De onde você é?”, responder: “Jaraguá do Sul”.
16) Passar o domingo no Parque Malwee;
17) Fazer analogias favoráveis à sua terra natal, mas estar residindo por aqui há mais de três anos;
18) Ter um filho em Jaraguá do Sul;
19) Ter uma segunda profissão para “engordar” o orçamento;
20) Trabalhar mais de dez horas diárias, naturalmente;
21) Preocupar-se com uma possível seca, depois de uma incrível seqüência de três dias ensolarados;
22) Transferir o título eleitoral para Jaraguá do Sul;
23) Trocar o carro usado em Curitiba;
24) Parar no meio do expediente para comer um pão trazido de casa;
25) Achar qualquer prato sem batatas, incompleto.

A situação de “aculturar-se” em Jaraguá do Sul torna-se irreversível, quando você se enquadrar em todos as situações acima, ou ainda medir o seu percentual, preocupado em não parecer um nativo local.
Mas o interessante é chegar sozinho à conclusão de que você é um jaraguaense.


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