Arquivo da categoria ‘Colunistas’






22 de junho de 2009 , 12h47
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Sobre sobrevivência


You know, às vezes gosto de me entregar a uns exercícios de imaginação do improvável. Saramago fez um de primeira um tempo atrás, naquele livro (que virou filme) sobre um mundo onde, de repente, todo mundo fica cego (é de Ensaio Sobre a Cegueira que eu tô falando). Nesse universo aí, até preparar um miojo vira aventura para fulanos como nós. Mas pois bem, Saramagos fora, abrindo minha despensa ontem dei um suspiro de desânimo, pensando em voz alta “cara, se o mundo acabasse hoje cê tava ferrado”. Claro que “o mundo acabar” é aquela situação onde você sobrevive e tem que ficar trancado em casa esperando os zumbís lá fora morrerem sozinhos (o que na concepção de Hollywood não acontece tão rápido). Para fins de sobrevivência, teria aqui no meu armário dois pacotes de sopa instantânea, quatro (?) de suco de laranja, um pacote de bolacha, uma lata de atum e 2/3 do ovo de Páscoa que ganhei da dôna Sandra. A geladeira, outra lástima. Com o que tem nela, eu sobreviveria ao primeiro mês se comesse uma azeitona por dia. Eu sei, era pra ter vergonha já que tenho mais ração de gato do que comida estocada aqui em casa, mas que saber? Nem tanto. Porque sei que, no (meu) fim do mundo, enquanto vocês casais ainda estiverem em casa comendo o pão velho que tava guardado no freezer, haverá lá fora uma legião de solteiros que moravam sozinhos conquistando o mundo. E dando tiros em zumbís.


Encher a despensa que nada, Ricardo Daniel Treis vai é comprar um rilfe.

Texto publicado na Coluna Por Acaso, página 9, jornal O Correio do Povo de 19 de junho de 2009.


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9 de junho de 2009 , 11h38
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Informe


Clique na imagem para conhecer mais desta inspiradíssima novidade.


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2 de junho de 2009 , 09h02
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Hoje vamos de Fernando Bastos, que é um assíduo colaborador aqui do Por Acaso com suas charges. Aqui ele mostra um pouco da sua prosa, num conto produzido especialmente aqui para o Veredas e Por Acaso.

A MENINA DE NEREU RAMOS

Ambos moviam-se na mesma direção, desviando-se de mesas e gente, na praça de alimentação do Shopping, e o esbarrão foi inevitável.
- Ops, desculpa - Natanael foi o primeiro a se manifestar.
- Não foi nada - tranquilizou Ângela - e só então descobriu a sua frente um rosto familiar, transformado pelos anos da vida, mas…familiar. Ele não mudara muito, não.

1973

A litorina apontou na curva com apitos ruidosos preconizando sua chegada. Os dois meninos, equilibrando-se rente à plataforma da estação, tremeram junto com os trilhos, ansiosos para chegarem logo em Nereu Ramos, onde se esbaldariam em correr pelo pasto que ficava atrás da casa de Antônio, o tio de Loreno. Italiano dos bons, sapateiro afamado na região, exímio jogador de bocha, tio Antônio tinha um casal de filhos. Pedro, o caçula, e Ângela, com doze anos, menina faceira, jeito moleque, sempre ríspida no trato com os meninos, como se quisesse afastar os olhares maliciosos dos garotos atrevidos.

Loreno tinha a mesma idade de Ângela, sua prima. Era filho de um experiente telegrafista da extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima), e andar de Maria-Fumaça ou litorina, para ele, era tão comum quanto acompanhar a mãe às missas de domingo. Ia pelo menos uma vez por semana com a mãe do lado, visitar os parentes em Nereu, e, nessas ocasiões, seguia tio Antônio na ordenha das vacas, no trato das galinhas, e, quando chegava as férias de verão, corria com os dois primos para colher tangerina. Comiam ali mesmo, pendurados como saguis, nos galhos da árvore. Perdiam-se no tempo, jogando sementes e cascas um nos outros, e riam que se acabavam.
Natanael, um ano mais velho que Loreno, mal se aguentava em si, tanto era a angústia para encontrá-la e dessa vez, finalmente, declarar-se.

Talvez o leitor mais jovem não conheça o termo, e nunca tenha visto uma “litorina”. No entanto, suas aparições em Jaraguá pelos tempos da infância de Loreno e Natanael eram bem comuns. Transportava dezenas de passageiros, que eram levados para Nereu, São Francisco e outros lugares. O termo tem origem italiana (littorina) e contam que esse nome se deve ao fato de Mussolini ter embarcado nesse veiculo quando viajou até a cidade de Littoria.

Em menos de meia hora a dupla já descia na estação de Nereu. O menino mais velho girou sobre os calcanhares percorrendo os olhos azuis por um ângulo de 360 graus, mas nem sinal dela.
- Tenha paciência - avisou Loreno - ela deve estar em casa estudando ou ajudando minha tia.
- Hoje vou declarar meu amor a ela - assegurou Natanael - com uma gravidade rara para a idade.
- Há, há, duvido - riu-se o amigo - você já teve mais de dez chances de dizer que gosta dela, e sempre na hora H, enfiou o rabo no meio das pernas.
- Hoje vai ser diferente, Loreno.

O filho do telegrafista pediu a bênção para tia Marli, tio Antônio. Levou uns apertões nas bochechas da tia, e sentaram ele e o amigo, para tomarem um café feito no fogão à lenha e comerem pão com banha e açúcar, uma delícia para eles. Empurraram tudo goela abaixo e já iam saindo, quando a tia falou:
- “Ma que robe tói”, aonde vão com essa pressa?

Encontraram-na sozinha, sobre uma pedra na beira do riozinho, jogando migalhas de pão aos peixes, que pareciam dançar ao redor de seus pés enfiados na água transparente, algumas vezes esbarrando neles e, os mais afoitos, mordiscando os dedos.
- Oi, prima…
- Oi, Loreno - respondeu sorridente. E, fitando o outro - Oi Natan.
- Oi, Ângela.
- Ai, meu Deus - soltou Loreno - esqueci minha vara de pescar, vou buscar e já volto…
- Acho que ele quer que fiquemos a sós - deduziu Ângela com um sorriso que irradiou todo seu rosto.
Para Natanael, aquilo foi o mesmo que ter uma visão do Paraíso, com os serafins tocando harpas para a glória de Nosso Senhor.

- Aonde você vai? - inquiriu a menina, sem saber o que havia dado no garoto, que parecia fugir assustado, como se tivesse visto a própria Morte se aproximando de gadanha em punho…
- Lembrei que deixei minha vara na casa do teu tio…

Fernando Bastos é cartunista e participou dos livros “Contos Jaraguaenses” e “Jaraguá em Crônicas”.


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27 de maio de 2009 , 08h09
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Jaraguá do Sul, assim como Joinville, respira dança e vem a cada se afirmando no cenário catarinense. Hoje Veredas ressalta essa poesia do corpo, com um belo recorte que fala de outra dança, o Boxe, com texto do escritor argentino Gabriel Gómez (que já foi um dos convidados do Círculo de Leitura de Jaraguá e retorna em julho, na Feira do Livro), . Gabriel é autor de “A culpa é do livro” e do recém lançado “Borges e outras ficções”.

Dança

Um, dois, três passos. Avança lentamente. Elegante. Todos se foram. Agora é com ele. As mãos acompanham a dança. Gira para a direita, retrocede e abaixa com leveza seu corpo. Sente-se acompanhado por inúmeros olhares e um barulho no ar. O público reage, se identifica e parece ir junto. Mais um passo, desta vez para a esquerda, querendo achar um espaço, quase de refúgio, paternal. Os braços se juntam simultâneos, se comunicam. Às vezes parecem esperar, recuados. Outras, encontram a leveza ou a força, ensaiando, mapeando a busca. O corpo suado, esculpido, acha outro. Dançam juntos, suam juntos e enredam mãos e corpos com cautela. Abraçam-se. Medem, ajustam e regulam cada movimento. A coreografia tantas vezes praticada e revista. Os olhos acompanham tentativas que enganam. Luzes intensas, fôlego nervoso. Enquanto um parece correr, o outro dança. A poesia primária, sincronizada, dialoga desafiante. Exaltados, frágeis, lentos e velozes; desamparados. Dançam em equilíbrio, com as pontas do pé, dançam… Parecem driblar, mas não: dançam. Não param, evoluem. Para frente e para trás. O tempo de tablado se esgota. Precisa do último movimento que não chega, ou chega tarde. Procura exprimir-se no momento restante, circula incessantemente, mas está exausto. Foi surpreendido. Um, dois; um, dois. Ouvem-se gritos de glória, aflição e também de agonia; um direto preciso, uma esquerda aberta, implacável, um meio giro e o barulho seco da queda. Falta de ar. Seu protetor cai junto, voa fora da boca. Arrastado, beija a lona com sangue. Cercado, cospe sangue nas cordas. Seus olhos perdem o foco. Tenta alçar-se, procura forças, mas cai, inconsciente, vermelho de dor. Não chega nem a ouvir o grito provocante, o aceno ainda combativo do seu adversário.
A toalha jogada de um dos cantos, cortando a passagem do juiz, é a cortina que avisa que a dança acabou.


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25 de maio de 2009 , 04h34
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Página aberta - Encontro literário


Página aberta - Encontro Literário

Venha encontrar e conversar com amantes do livro e da leitura, num ambiente informal e descontraído, um verdadeiro happy hour literário.

- Apresentação da Biblioteca e acervo da Cerâmica 507/ Loreno Hagedorn;
- Confraternização e encontro dos escritores da região;
- Sorteio de livros da Design Editora.

Acesso livre

Onde:
Rua Venâncio da Silva Porto, 507 - Atelier 507 - Vila Lenzi (próximo ao novo Angeloni) - Jaraguá do Sul - SC

Quando:
nesta quinta-feira, dia 28 de maio, 20h

Traga seus amigos e venha desfrutar de um bom papo…

Realização: Atelier 507 e Design Editora.


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22 de maio de 2009 , 10h29
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Da coluna dos 5 Anos de Coluna


Conteúdo publicado na nossa coluna de hoje n´O CP.

Mil oitocentos e vinte e cinco dias

Não sei se viram, mas saiu ontem matériazinha na página 12 d’O CP falando dos cinco anos de aniversário de publicação da coluna, marco que completamos agora dia 20 deste mês. Esta então é a coluna de 5 anos e 2 dias da Por Acaso, que trouxe consigo aquele clássico caso de quando exige-se a criatividade numa redação: branco total. Como não faço a mínima do que escrever aqui hoje além de agradecer à minha mãe, à tia Marina e a todos os quinze leitores restantes pela audiência, vou botar abaixo o rascunho de pauta que passei pro Max como sugestão pro mês de celebração. Seguem abaixo os ítens publicáveis de “O que vamos fazer pra comemorar os cinco anos da coluna?”:
- Montar uma página especial comemorativa (abortado);
- Passar os 31 dias de maio completamente de porre (abortado);
- Promover a primeira corrida de lhamas de Jaraguá do Sul (abortado);
- Começar a trabalhar de verdade (abortado);
- Comprar um pônei (abortado);
- Fugir para as montanhas (abortado);
- Comprar dois pôneis (abortado);
- Caotizar a cidade divulgando aquelas 72 horas de filmagem feitas na Epitácio (abortado);
- Imolação em praça pública (abortado);
- Anunciar candidaturas para o congresso (abortado);
- Promover o primeiro Miss Camiseta Molhada de Jaraguá do Sul (em estudo).

A pauta original tinha 72 ítens, achei melhor incinerar ela.


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22 de maio de 2009 , 10h25
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Da coluna dos 5 Anos de Coluna


Conteúdo publicado na nossa coluna de hoje n´O CP.

Image


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19 de maio de 2009 , 03h58
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Ôrra, quase esquecí


Parabéns Tiba, filizaniversário!

Image

E dizer que fiquei uma cara procurando uma foto aqui nos meus arquivos pra avacalhar com o post enquanto essa tava lá no Orkut dele…


Dia 29 vai rolar festa, depois a gente publica os detalhes.
E pra quem não sabe, o Tiba é o cara responsável pelas nossas coberturas fotográficas. Autodidata violento, tá viciado em clique agora. Keep walking dude!


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18 de maio de 2009 , 09h00
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Grandes univitelinos jaraguaenses #03


Contribuição via Alexandre Meldau, a quem agradeço a lembrança e o desafio em publicar.
]=]

separados

Num passado distante. Tanto a minha foto quanto a do Dias… Lindas bochechas.


E o Trujillo vai dizer que eu pareço o Marco Murara também, coisa que até concordo, mas não tenho foto pra comparar.


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18 de maio de 2009 , 08h06
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Sobre vizinhança


Você sabe que alguma coisa está errada quando em tempos como esses seu vizinho de trintaetantos anos é uma pessoa que ainda tem aquele hábito de queimar lixo no quintal.
- Ou você mora num cafundó obscuro onde nem a coleta chega, mas esse não é meu caso.
- Ou o cara é um tremendo imundo que não se importa com pedaços de papel higiênico queimado invadindo a janela alheia, o que pode ser meu caso.
- Ou seu vizinho é um traficante de ponta ou um serial killer querendo se livrar de evidências, o que peço dezolivre nao seja meu caso.


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12 de maio de 2009 , 09h43
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


O Nelson Curica veio lá de Santarém, no Pará, mas está radicado em Jaraguá do Sul há alguns anos. Gosta de um bom bate papo sobre filosofia, uma cervejinha gelada (quem não gosta né?) e uma porçãozinha de macaxeira bem servida… Preparou este texto especialmente para a revista virtual Veredas, vale a pena conferir…

A ANTROPOFAGIA SENTA NA MESA DO ALMOÇO NA TERÇA FEIRA

Nelson Curica

Logo que sentei a mesa não pude deixar de notar o berbigão me olhando sorridente de seu aromático túmulo, havia ainda arroz com feijão e uma terrina de aço inoxidável repleta de salada. Percebi também quase instantaneamente que as mangas haviam acabado, pois senti falta de uma cor amarela na dita salada e do seu cheiro peculiar em meio aquele festival de cores verdes.
Meu filho sentou silenciosamente em sua cadeira com altura apropriada para sua estatura de criança de cinco anos. Tentou se ajeitar sozinho mais acabou recebendo ajuda da mãe que notara sua dificuldade com a nova relação de suas pernas e os pés da mesa. Logo foi constatado que ele já não cabia muito bem no lugar em que sempre sentava e ela arredou o curumim um pouco mais para o seu lado. Num misto de agradecimento e inocência ele lhe perguntou por que ela não ficava gorda. O que me deixou intrigado e a sua mãe desconfiada. Tanto que lhe respondeu com a clássica tática de devolver, de forma mais acentuada, um sonoro - por quê? Ele então sem perder a pose e cheio de razão respondeu de bate pronto - ora bolas, é pra senhora ganhar neném.
Depois de recompor sua autoridade com um singelo sorriso ela tratou de salvar também a autoridade dos argumentos de adulta e mãe lembrando, entre uma garfada e outra, que estava curiosa para saber qual era o presente que nós lhe daríamos no dia das mães. Sem perda de tempo nosso filho lhe perguntou se ela não gostaria de ganhar uma linda pista de corrida. Ela me olhou de soslaio e sorrimos considerando suas evidentes intenções. Depois se voltou para ele e ainda sorrindo lhe disse, sem esconder um leve sarcasmo - não muito obrigado. Mais ele continuou argumentando com uma expressão sincera de ela não estava fazendo uma boa escolha ao negar aquele presente e achava que deveria aceitar. Ela ponderou candidamente que aquele era um presente que ele gostaria de ganhar e não ela. Mais, com uma determinação exemplar ele considerou que assim eles não iam poder brincar juntos com a pista, o que seria um desperdício.
Não consegui, vendo aquele diálogo, ter certeza de que ele realmente estava tentando levar vantagem. Confesso que no início fui tentado a crer nisso, mais vendo sua desenvoltura ao procurar convencer sua mãe, compreendi que ele estava agindo na mais pura inocência, defendendo seu interesse como sendo legitimamente o dela. E não sem espanto percebi o quanto de nossa sociedade estava presente na sua ingênua postura, posto que dividimos nossas vidas em dias especiais e ficamos pretendendo, como crianças, convencer os incautos de que os interesses de nossos indivíduos precisam ser os mesmos, para tudo fazer sentido.


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11 de maio de 2009 , 01h31
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Sobre hot-dog com gosto de comida


Me admira nenhum desses zilhares de carrinhos por aí ainda ter tido tino pra fazer um cachorro-quente de verdade, que é daqueles que a gente come em festa de igreja ou encontrava na cantina da escola: pão, salsicha e molho de tomate denso. Só. É pouco, mas tá perfeito. Esse amontoado de milho, ervilha, vinagrete, farofa e batata palha tem gosto de coisalguma, senão do catchup que a gente bombardeia em cima.


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8 de maio de 2009 , 01h14
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Novidade


Fotos Creperia 024

Já foi conferir a creperia que abriu alí na Domingos da Nova, logo mais à frente do Estação do Tempo? Anote, é ótima pedida! Esqueça os crepes no palitinho, o diferencial do ponto é aplicar o modo clássico de preparo: a massa vai para uma chapinha quente onde é moldada redondinha, para então ser dobrada acolhendo o recheio quente.

Além do crepe servem também outra que é novidade por aqui que são as tostas: um sanduichão de pão pulmann crocante e sem casca, caprichado no recheio e que vale uma refeição. Na foto acima ilustrando o post, a delícia chamada Vivaldi: crepe de chocolate, recheado com chocolate trufado e servido com sorvete de baunília. Abaixo, tosta América: 27cm de pão pulmann sem casca, salsichas tipo Hot Dog, molho Art, ervilhas, milho, batata palha, prensado.

Fotos Creperia 031

Outra boa e que faz juz ao nome do point: eles fazem exposição e venda de obras lá também. Na ocasião, estão peças do Meldau e do Cássio, assim como de uma outra garota que espero me perdoe ter esquecido o nome (mas que merece elogios pela aquarela de Chê e a cena do casal dançando sob o guarda-chuva).

Art Crepes & Cia, recomendação da semana!


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5 de maio de 2009 , 03h54
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

79 projetos inscritos no Edital de Cultura de Jaraguá


Projetos por área:

a) Música: 23 projetos - Valor destinado de R$ 72.068,13 (valor máximo por projeto R$ 7.206,82 e valor mínimo R$ 720,68).

b) Literatura: 13 projetos - Valor destinado de R$ 60.056,77 (valor máximo por projeto R$ 6.005,68 e valor mínimo R$ 600,56).

c) Artes Cênicas – Dança, Teatro, Cinema e Outros: 19 projetos - Valor destinado R$ 76.071,91 (valor máximo por projeto R$ 7.607,20 e valor mínimo R$ 760,72).

d) Patrimônio Cultural: 02 projetos - Valor destinado R$ 72.068,13 no caso de projetos de restauração de edificações históricas (valor máximo R$ 21.620,44) demais projetos da área (valor máximo por projeto R$ 7.206,82 e valor mínimo R$ 720,68).

e) Manifestações Culturais- Folclore, Tiro e Outros: 20 projetos - Valor destinado R$ 80.075,70 (valor máximo por projeto R$ 8.007,57 e valor mínimo R$ 800,75).

f) Artes Plásticas e Artesanato: 02 projetos - Total de R$ 40.037,85 (valor máximo por projeto R$ 4.003,79 e valor mínimo R$ 400,37).

Carlos Henrique Schroeder

Conselho Municipal de Cultura - Representante da Área de Literatura


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4 de maio de 2009 , 01h18
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Jaraguá em cena


Vejam a cidade de Jaraguá do Sul através das lentes do fotógrafo Chan, que em cinco minutos de vídeo procura retratar a cidade.


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30 de abril de 2009 , 07h10
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Segunda tem Trama da palavra no SESC


Trama da palavra SESC

Literatura, cinema e teatro em discussão na próxima segunda-feira

Na próxima segunda-feira, dia 4, às 19h, acontece a sessão inaugural do projeto Trama da Palavra, na Sala de Grupos no Bloco Cultural do SESC Jaraguá do Sul.

O Projeto Trama da Palavra pretende discutir não apenas a literatura, mas também suas interfaces com outras formas de linguagem: quadrinhos, canções, roteiros, peças teatrais e outras manifestações que tenham a palavra como um dos suportes. Estas discussões terão a presença de autores para mediar as discussões.

Para a sessão inaugural, o convidado é Carlos Henrique Schroeder, que media as discussões e fala sobre escrever para o teatro, cinema e claro, da arte de escrever livros.

A entrada é franca e a realização é do SESC Jaraguá do Sul.


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29 de abril de 2009 , 10h18
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Hoje vamos com um texto de Kelly Erdmann. Ela é repórter do Jornal O Correio do Povo desde 2006, também já exerceu essa função em O Regional. Antes disso, esteve no Departamento de Comunicação e Marketing da Universidade do Vale do Itajaí. Em 2006 recebeu o prêmio de melhor texto na categoria Perfil do Univento, prêmio que destacada as produções dos acadêmicos da instituição.

Pára-raios

Kelly Erdmann

Definitivamente a segunda-feira tinha começado da forma mais azarada possível. O céu nublado parecia ainda mais carrancudo com as nuvens cheias de chuva teimando em encobrir os morros. A sombrinha, antes esquecida atrás da porta, era obrigatória e dividiu espaço nas mãos com as moedas para o ônibus, a pasta de documentos e a mochila tirada das costas tardiamente. Estavam encharcados, ela, as pernas e os ombros.
O caminho de casa até ponto do coletivo é de 200 metros. Mesmo assim, aquele dilúvio inesperado foi capaz de alagar a tudo, inclusive, ele. Para piorar, na subida ao ônibus o guarda-chuva virou, os pés “pularam” dentro da poça amarela e a vontade de desistir tomou conta do universo.
Estava atrasado e todos os 15 sinais de trânsito espalhados pelas dezenas de ruas a serem passadas teimaram em preferir o vermelho ao verde. Lá se foram mais 20 vinte minutos. E, por causa deles, o motorista não teve tempo de chegar antes da cancela baixar. Béééééééééé. A buzina irritante do trem apitou na direção exata dos tímpanos, dando a ligeira impressão de o cérebro ter saído do lugar.
Mas, só teve a certeza que isso não aconteceu quando o maldito Golf preto encerrou o trabalho iniciado pela chuva. O banho, finalmente, estava completo.
- Booom diaaa, Beto!!! Como foi o fim de semana? Viu aquele filme do cinema? E o Faustão, ontem? Putz, a dança no gelo é o máximo! Ahh, eu vou fazer um leiilããoooo…lá lá lá lá….eu vou fazer um leilãoãooão….
Sem murmurar nada, abriu e fechou a porta em um milésimo de segundo. A voz o perseguiu, a música odiada grudou nos ouvidos, o celular tocou.
- Cadê tu, cara? Cadê? Cadê? Cadê?
Com a mochila virada sobre a cadeira, o telefone voou para debaixo da mesa. De joelhos no chão, se esticou e alcançou o celular. O visor quebrou e não deu para ver qual número chamava.
- Alô!
- Quem fala?
- Quer falar com quem, hein?
- Beto?
- É ele mesmo. Quem ta falando, pô?
- É a Camila. Pelo jeito não lembra mais de mim, né?!
- Camila? Camila? Claro que lembro, Camila!
- Foi mal, tá?! Acho que não liguei em boa hora. Nos falamos outro dia.
- Nãoo, Camila! Péra aí, fica na linha!
- Oi?
- Desculpa. Meu dia não começou bem.
- Hã?
- Vamos sair no sábado?
- Ah, não sei, tenho umas coisas pra fazer.
- Que horas?
- Hum, às 8 horas?
- Taá.
- Me pega?
- Pô, to sem carro.
- Hum.
- Te encontro no shopping. Pode ser?
- Tá.
Tu tu tu
- Putz, a ligação caiu ou ela desligou?!

O trovão veio tão forte que deu medo. A luz apagou. O computador desligou e destruiu o arquivo não salvo. As buzinas dos carros, lá fora, ensurdeciam. O trem parou e o trânsito também.
Ele foi dormir na cadeira, com a testa sobre a mesa. Os pés continuavam molhados.

 


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27 de abril de 2009 , 01h36
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Dirigindo em Jaraguá


O fotógrafo CHAN usou seu instrumento de trabalho para retratar sua rotina no trânsito jaraguaense, vale a pena conferir!

 


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23 de abril de 2009 , 11h41
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Do happy hour da Lico


Converteu-se minha primeira contribuição pro Baixa Gastronomia, depois que ví que uma galera não fazia a mínima de como se parece/o que é torresmo prensado.


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22 de abril de 2009 , 05h01
Carlos Schroeder
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Veredas


Rios

Eliandria Aparecida Silva

Ainda era noite, a chuva forte que caía misturava-se ao céu cinzento e ora prateado pelos fortes raios e relâmpagos insistentes.
O olhar de medo, o filho apertado contra os braços e acolhido em seu peito, ainda faltava atravessar a metade da ponte, pensou que poderia ter ido por outro caminho, não existia, pois o que ligava os rios Jaraguá e Itapocu era só aquela ponte pênsil.
O vento era muito forte, a solidão apertando os passos, havia sentido que aquilo poderia acontecer, um dos lados da corda se soltou com fúria, se desequilibrou, não havia mais ninguém, o tempo pareceu parar, por favor, Deus, salve meu filho, pensou rapidamente.
A correnteza os arrastou sem piedade quando caíram na água que no dia anterior parecia calma e tranqüila, o pequenino chorava, um galho, a salvação, a tempestade era uma cortina de cristal apavorante, debatia-se freneticamente.
Os gritos desesperados, o choro, era mãe, tinha que salvá-lo, tentou nadar mesmo sem saber, não ouviu mais choro de seu filho, não o viu mais…
De repente tudo era silêncio, as mãos sangravam, algo a tinha machucado, mas havia sangue no peito também, sangue sem cor, era a dor, uma dor sangrenta, perdeu-o na imensidão e na união dos dois rios, sabia que teria que continuar a viver mesmo morta, a vida havia mudado para toda a eternidade.
Nuvens cinza-escuro deslizavam suavemente pelo céu, o vento uivava, cantos discretos de pássaros que passeavam pelo céu enquanto a chuva ia se tornando mais fina, folhas e ramos de muitas árvores ao redor olhavam-na como se quisessem chorar junto.
Olhou para o alto, lá estava um homem, havia visto, foi testemunha de toda sua dor, de toda a tragédia que acabara de acontecer e seu rosto não gritava, mas suavemente acenava, não havia mais nada a fazer, talvez logo o corpo de seu filho boiasse na superfície, era o último desejo de uma mãe.
Enquanto a água congelava seu corpo suspenso, as mãos ainda seguravam no galho, o dia começava a se pôr devagar, em breve o escuro daria passagem à claridade e com ela viria a vida e tudo teria que seguir.
Ficou olhando para o alto, o homem não estava mais lá!

Eliandria Aparecida Silva é graduada em Administração de Empresas com especialização em Psicopedagogia e professora de Comunicação Oral e Escrita.


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15 de abril de 2009 , 08h46
Carlos Schroeder
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Veredas


As Verdades sobre a vida num apartamento (em Jaraguá)

(João Luís Chiodini/André Padilha)

Morar em apartamento não é para qualquer um. Há pessoas que não tem a mínima condição de viver num lugar onde respeito e consideração ao próximo são essenciais. Aliás, essas pessoas deveriam morar numa caverna, num lugar muito distante e isoladas de qualquer convívio social.

Se você mora, morou ou vai morar num apartamento, certamente vai passar ou já passou por uma situação destas adiante.

1 - Seu vizinho (de cima) sempre possui um objeto esférico que cai e rola no chão frequentemente, senão diariamente. Dá a impressão de que você mora embaixo de uma colecionadora de bolinhas de gude e que toda a vez que ela chega de madrugada ele dá uma espiadinha na coleção.

2 - Você nunca recebe visitas de madrugada, mas sempre escuta a campainha do vizinho.

3 - Seu vizinho sempre faxina a casa em horas impróprias. Será o de cima se for necessário arrastar móveis. Será o mais próximo se utilizar o aspirador de pó

4 - Seu vizinho (de cima) tem mania de arrastar móveis (não só quando faxina). Ou sobre o seu quarto, ou sobre a sua sala enquanto você assiste televisão.

5 - Seu vizinho (de baixo) tem sorte de tê-lo como vizinho pois você é calmo, silencioso, não arrasta móveis, não deixa nada cair no chão e não possui objetos esféricos que rolam sobre sua cabeça. Além disso, geralmente anda de chinelos.

6 - Seus vizinhos não respeitam as regras de salão de festas; quebram copos, não limpam e reservam todo final de semana o espaço, nunca dando chance a você que, inclusive, só usa no seu aniversário e no aniversário da sua esposa.

7 - Seu vizinho (de garagem) insiste em estacionar rente a faixa de divisão de boxes, não deixando você abrir decentemente sua porta e correndo frequente risco de riscar a porta do seu carro.

8 - Ao sair do carro, espremido, você sempre cuida para não bater a porta no carro ao lado. Entretanto, sempre há marcas de batidas de porta na porta do teu carro.

9 - Seus vizinhos (de cima e de baixo) tem a feia mania de ficar segurando, por razões misteriosas, o elevador.

10 - Seu vizinho (de cima) adora urinar diretamente na água da privada, projetando um barulho insuportável no seu banheiro/quarto.

11 - Seu vizinho (de cima) acorda várias vezes de madrugada para ir ao banheiro. (E mija muito alto)

12 - A bexiga do seu vizinho (de cima) deve suportar uns três litros de líquido.

13 - Ninguém, exceto você, devolve o carrinho de compras logo após o uso.

14 - A maioria das vezes que seu vizinho leva lixo, ele tem algo nojento que pinga no elevador.

15 - Você é o próximo a usar o elevador. E isso vale para quando seu vizinho suado e fedido acabou de sair dali após fazer exercícios. Ou quando aquela perua tomou banho de perfume de R$ 1,99.

16 - Chuck Norris não tem vizinho de cima. Nem São Pedro fica acima dele, pra não fazer barulhos com as tempestades.

17 - Crianças adoram brincar perto de você. Mas só quando você está dormindo no sábado/domingo, bem cedinho de manhã ou logo depois do almoço.

18 - O seu vizinho não quer ouvir música. Ele quer que VOCÊ ouça.

19 - Coisas estranhas caem na sua janela. Especialmente do banheiro.

20 - Quanto mais alto o som produzido pelo salto-alto, mais a sua vizinha (de cima) vai utilizar aquele sapato enquanto você está dormindo (ou tentando).

21 - Quanto mais pressa você tiver, mais gente que mora nos andares inferiores ao teu entrará no elevador. Em especial os moradores do 1º andar, que aguardam pacientemente por 10 minutos o elevador (vide a verdade nº 9), sendo que poderiam subir um lance de escadas com 7 degraus.

22 - Crianças choram. Cachorros latem. Algumas mulheres mugem… principalmente “naqueles” momentos.

23 - Coisas inexplicavelmente voam janela afora. Essas coisas inexplicavelmente não pertencem a ninguém.

24 - Só chove violentamente quando você deixa a janela aberta, provavelmente acreditando que aquele lindo dia de sol continuará.

25 - Tem gente que acha que furadeira, liquidificador, aspirador de pó e máquina de lavar “manca” são instrumentos musicais. E pior: acha que dão uma linda sinfonia, que todos gostam de ouvir.

26 - Há sempre um(a) louco(a) morando do prédio. E você sinceramente pensa na possibilidade dele(a) sair atirando a qualquer momento.

27 - A fatura do condomínio é um dos mistérios do universo. Albert Einstein se mudou do prédio onde morava porque não entendia os gastos. Daí nasceu a “relatividade”…

28 - Ninguém quer ser síndico. E o síndico é geralmente alguém que não devia ser.

29 - O síndico nunca está, nas raras vezes em que se precisa realmente dele.

30 - Você tenta se consolar com a velha frase: “É.. tem suas vantagens e desvantagens… pelo menos tem segurança”. Muito embora todos deixem a porta da frente destrancada, o portão aberto, e qualquer um que realmente queira possa entrar a qualquer momento no prédio.


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7 de abril de 2009 , 03h18
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Veredas_revista virtual de literatura_28

Devido ao feriado e a correria habitual, antecipamos a coluna Veredas para esta terça (é sempre nas quartas). Hoje vamos com um conto de Victor Alberto Danich, que é Sociólogo, Engenheiro Mecânico, Mestre em Engenharia de Produção e Professor do Centro Universitário de Jaraguá do Sul - UNERJ

O MUSEU

Victor Alberto Danich

Já faz algum tempo que a Prefeitura foi para outro local. A imagem que temos da cidade está sempre cercada pelo passado. O centro vai mudando aos poucos, sem percebermos; habituados as coisas fixas que sempre se encontram no mesmo lugar. O busto do fundador, os bancos, os jardins e os pivetes brincando em torno do prédio, hoje convertido em Museu. Dizem que o velhinho sentado todos os dias, de manhã até o final da tarde, de frente para a vetusta construção, era um pracinha que lutou na segunda guerra mundial. Quieto, como uma estátua, de semblante sombrio, protagonista silencioso das mudanças a seu redor, misterioso, apenas ajusta, de vez em quando, a jaqueta desgarrada num movimento de porte marcial. São as crianças que percebem os velhos, de várias formas, muitas vezes de maneira perversa. Outras, magnetizadas por alguma história fantástica. Tal vez seja esse o motivo que as levaram a rondarem o soldado. Numa tarde, o velho guerreiro foi pela primeira vez ao Museu junto com os pivetes que, segundo alguns, sabem como entrar no prédio durante a noite para brincar nos corredores.
Poucos prestaram atenção para aquele ato casual. Tudo voltou a ser igual, ou quase. As barracas de quinquilharias foram ocupando os espaços da praça frente ao Museu. Os pivetes correndo, pulando os bancos, e o velho senhor, guerreiro esquecido, no seu lugar de sempre, com sua altivez de soldado digno. A vida continua simples e redundante, como o rolar monótono dos dias de qualquer cidade provinciana. Nesse percurso do tempo que parece óbvio, a história desse soldado contém duas etapas, separadas entre si por um acontecimento transcendental, aquele que envolveu o furor das batalhas, da juventude heróica em confronto com a morte. A outra, menos exuberante, está relacionada com a velhice e com seus segredos. Olhando para o céu interminável, parece mesmo estar recordando glórias antigas e guardando-as apenas para alguns. Os moleques desfilam em torno dele como se fossem soldadinhos de chumbo. Uma visão irreal se comparada com ocasiões anteriores. Há alguma coisa de enigmático em tudo isso. Nada que pudesse ser percebido por um observador circunstancial.
A chegada da polícia alterou a monotonia da praça. Entraram no Museu e fecharam as portas. No dia seguinte, o jornal da cidade publicava a notícia de que ocorrera um roubo. Alguém, estranhamente, tinha levado um fusil, um capacete e um uniforme com suas medalhas, nada mais. Depois disso, tudo voltou a ser como antes. O busto do fundador, os bancos, os jardins e os pivetes brincando em torno do prédio. Nessa precária construção da realidade, esquecida e indolente, o velho soldado continua de frente para o Museu, exercitando suas lembranças, compartilhando os rumores da praça com os guris, seus novos melhores amigos.


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6 de abril de 2009 , 09h20
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Cinema na quarta!


Cineclube de Jaraguá do Sul apresenta

Profissão: repórter
um filme de Michelangelo Antonioni
com Jack Nicholson e Maria Schneider

profissao reporter

Logo após a sessão, debate com Douglas Konig, maior pesquisador da obra de Antonioni no Sul do Brasil

Quando um colega viajante morre repentinamente, o esgotado jornalista David Locke assume sua identidade. Utilizando a agenda do homem morto como guia, Locke viaja pela Europa e África, fazendo reuniões com perigosos negociantes de armas e se apaixonando por uma jovem charmosa. Mas sua excitante recém-descoberta liberdade carrega um preço fatal quando Locke gradualmente percebe que está num beco sem saída.

8 de abril, quarta-feira, 19h30min, no Teatro do novo SESC Jaraguá do Sul
Rua Jorge Czerniewicz, 633
Bairro Czerniewicz
Jaraguá do Sul - SC

Entrada franca

Cineclube de Jaraguá do Sul, o espaço de cinema de arte na região.
Filiado ao MPLC BRASIL, em conformidade com as leis de reprodução e direitos autorais.

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3 de abril de 2009 , 10h27
r.3
Por
r.3

Quem cuida do inferno é um capataz


- Qual a melhor maneira de colocarmos estas estacas no solo para levantarmos o prédio?
- Bom, poderíamos cavar um buraco de X por X e colocar elas. Então solidificaríamos tudo ao redor com esta base concretada aqui.
- Não, silencioso demais. Isso aqui é um canteiro de obras, ôrra! Criem uma máquina cujo motor faça o barulho de um caminhão fazendo borrachão num saco de gatos. Essa estaca de 8m tem que entrar à marteladas no solo… Já bota uma placa de aço entre ela e o martelo, que é pra aumentar o ruído. Tudo deve ser uma grande e lenta agonia, intercalada por períodos de silêncio que encham o coração dos vizinhos de esperança, achando que tudo finalmente acabou.
- Mas a obra tem 75 estacas! Faz idéia de quanto vai durar?
- Ótimo. Isso sim é que é canteiro de obras! Agora liga o rádio AM no máximo e manda os pedreiros começarem a gritar bobagens. Já liga aquela serra alí também, o que ela tá fazendo parada? Cê não tem prática nessas coisas?


Não é assim, mas não consigo imaginar de outra forma. Barulheira do cacete aqui do lado, sei que vai ficar pior na parte do acabamento, quando chegarem ao corte da cerâmica.

Canteiro de obra: orgulhosamente sem updates desde a Revolução Industrial.


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1 de abril de 2009 , 03h30
Carlos Schroeder
Por
Carlos Schroeder

Veredas


Como morrer em Jaraguá
Carlos Henrique Schroeder

1.No trânsito

Esta é a maneira mais fácil e democrática de se morrer na cidade entre-rios/entre-morros. Pois você ainda pode escolher como morrer: a pé ou dirigindo. No primeiro caso, a cidade oferece duas opções certeiras. Vejam o caso do cruzamento das ruas Expedicionário Gumercindo da Silva (da Caixa Econômica e do Hotel Itajara) com a Henrique Piazera (da Borrachas Wolff e Moretti Automóveis), onde diariamente temos um exemplo clássico de olimpíada urbana: os 100 metros rasos sem barreira, mas com um agravante, a velha morte dando ceifadas no lombo do pedestre.
Ainda a pé, o cruzamento da Avenida Marechal com a Rua Guilherme Weege (onde fica o X-hum) é um passaporte para o Hospital São José (que ao menos está próximo). Os pedestres chegam a fazer o sinal da cruz para atravessar. Até pensei em montar uma barraquinha com aluguel de varas de um lado da rua, e instalar um colchão do outro. Uma máquina de tele transporte também ajudaria. Poderia citar ainda todas as faixas de pedestres defronte as grandes empresas, sempre uma roleta russa.
Para morrer dirigindo, no conforto de seu automóvel e escutando sua música predileta, aconselho as vias de acesso a Jaraguá do Sul, principalmente nas sextas-feiras do verão, quando todos resolvem sair para buscar um lugar ao sol, e o horário de pico, entre 17h15 e 18h, quando você sempre morre, mas de raiva!

2.De fome

Trabalhar na área cultural em Jaraguá é como ser um famigerado etíope na Suécia. Principalmente se seu trabalho for autoral (os artistas com um pouco mais de apelo comercial, conseguem, ainda que aos trancos e barrancos, ao menos pagar as contas). O jaraguaense médio não consome alta cultura, você lota um espetáculo de comédia escrachada, mas escuta os grilos em espetáculos com um pouco mais de conteúdo. Você paga para sentar num bar e escutar pagode (que poderia escutar de graça, na rádio), mas não paga para escutar as letras e músicas de um artista de MPB local. Em Jaraguá os artistas morrem de fome, mas também de indignação.

3.De desgosto

Essa é a maneira mais fácil de abotoar o paletó de madeira na cidade. Basta prestar atenção nos movimentos políticos locais e nas relações profissionais na cidade. Em todas as eleições acontece o mesmo: quando o candidato X perde para o Y, os fiéis escudeiros do X imediatamente abandonam o barco para lamber as botas de Y, em busca de alguns carguinhos medíocres. E o pior é que muitos acham isso normal, e até justo. No trabalho então, as escalas de valores são sempre invertidas, e prega-se sempre a concorrência desmedida, o cão come cão. Isso tornou Jaraguá do Sul uma potência industrial, e também, uma grande consumidora de antidepressivos.


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