2 de dezembro de 2008 , 09h10

Ao chegar ao tribunal de Los Angeles, acompanhada da filha Sarah, para ouvir o desfecho de seu julgamento, Lori Drew, 49 anos, pequena empresária num subúrbio de Saint Louis, Missouri, ainda acreditava que não faria história. Mas fez: tornou-se a primeira pessoa condenada por maltratar outra num site de relacionamento - mau-trato que, no caso, resultou no suicídio de Megan Meier, 13 anos, menina “difícil” da mesma idade, mesma escola, mesma série e, por algum tempo, a melhor amiga de Sarah. Como acontece entre adolescentes, mais ainda em tempos de internet e intensa troca de mensagens, as duas brigaram, se afastaram e Sarah suspeitou que Megan andava falando mal dela. Como confirmar? Filha, mãe e mais uma funcionária dela, Ashley Grills, 20 anos, uniram-se para inventar e alimentar no MySpace o perfil de um adolescente bonitão e solitário por quem Megan se apaixonou ao primeiro chat e a quem, claro, faria toda sorte de confidência.
Josh Evans “nasceu” em setembro de 2006; queixava-se da falta de amigos; achava Megan “sexy”. Lori, sentindo a filha vingada, contou a várias pessoas sobre o teatro que havia armado. Até que, em outubro, farsa esgotada, “Josh” puxou briga com Megan e digitou, pelas mãos de Ashley, mas com a concordância das outras duas: “O mundo seria melhor sem a sua presença”. A menina subiu para o quarto e enforcou-se com um cinto no closet. Um promotor de Los Angeles, onde fica a sede do MySpace, usou uma lei anti-hackers para processar Lori por uso indevido do site. Ela pode pegar até três anos de cadeia e pagar multa de até 300 000 dólares. A sentença não tem data para sair.
Tirado da Veja desta semana.








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Crueldade.
Por r.3 Ranking