16 de maio de 2008 , 03h44
Classic Hollywood é uma coluna para apaixonados pelo cinema de todos os tempos. Filmes clássicos, filmes contemporâneos, tudo aqui de um jeito bacana e curioso.
REQUIÉM PARA UM SONHO (2000)
Não é questão de ser careta. Tudo talvez possa, mas com limite… Sabe aquele primo problemático que se entope de drogas e a mãe é uma parva, inerte, que não toma decisões? Sabe aquela mina gostosinha que se entope de balinhas ‘nas raves da vida’. Não adianta flores e frutas não: amarra na cadeira e deixe passando ‘Requiém para um Sonho’. Duas horas depois, dificilmente a anta drogada será a mesma.
Harry quer ser rico. Sua mãe Sara quer que ele seja feliz e se case. Marion, a namorada de Harry, quer ter uma griffe. Só que, enquanto sonha, Harry se encontra com seu amigo Tyrone - que tem sempre um pouco de heroína à mão. Marion quer abrir sua loja e pede ajuda a Harry. Ele e Tyrone começam a traficar drogas. Em breve os três juntam bastante dinheiro: eles começam a se sentirem invencíveis.
Sua mãe Sara sonha com uma vida mais colorida e menos solitária. Por isto vive colada na TV. Um dia o telefone toca - e ela entende que está sendo chamada para aparecer no seu programa de TV predileto. Ela quer emagrecer para este grande dia - e por isto começa a tomar pílulas que tiram a fome. As anfetaminas que as gordinhas insistem em tomar para parecerem o clone de La Bünchen. Ela consegue ficar mais magra e se se sente ótima em seu vestido vermelho.
Só que os quatro não estão livres para usufruir de seus sonhos. Eles estão viciados. E quando os hábitos viram vícios, todos se sentem ainda mais sós. Ainda que Harry converse com a mãe e perceba que ela agora está elétrica e trincando os dentes… Ainda que Harry e Marion saibam que só tem um ao outro… E que Tyrone se lembre vivamente dos ensinamentos de sua mãe… É um mundo solitário, onde nenhum deles consegue mais se comunicar.
Os sonhos de dinheiro, fama e sucesso sucumbem diantes dos pesadelos distorcidos, da dor e da dependência das drogas. Um retrato nu e cru, à sua mão na locadora, na prateleira dos cults. Com Jennifer Connely (dona dos olhos mais lindos de Hollywood), um competente Jared Leto (o que irá agradar à muiezada) e Ellen Burstyn (a mãe da ‘píssuída’ em ‘O Exorcista), é um filme indicado para passar para qualquer adolescente com mais de treze anos. Uma visão frenética, perturbada e única sobre sonhos e desesperos.
…
Just Randals não é muito careta, mas acha que nesta vida tudo tem limite. Suas perguntas filosóficas desta semana são: ‘Por que neste país provinciano, não permitir a Passeata da Maconha? Manifestação Democrática não é diferente de Apologia? “







